quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Um pouco de Sêneca para o Dia do Filósofo

Hoje, 16 de agosto, é celebrado o "Dia do Filósofo" e para essa data, escolhi esse trecho escrito por Sêneca para compartilhar com vocês!


A maior parte dos mortais, Paulino, queixa-se da malevolência da Natureza, porque estamos destinados a um momento da eternidade, e, segundo eles, o espaço de tempo que nos foi dado corre tão veloz e rápido, de forma que, à exceção de muito poucos, a vida abandonaria a todos em meio aos preparativos mesmos para a vida. E não é somente a multidão e a turba insensata que se lamenta deste mal considerado universal: a mesma impressão provocou queixas também de homens ilustres. Daí o protesto do maior dos médicos: “A vida é breve, longa, a arte.” Daí o litígio (de nenhuma forma apropriado a um homem sábio) que Aristóteles teve com a Natureza: “aos animais, ela concedeu tanto tempo de vida, que eles sobrevivem por cinco ou dez gerações; ao homem, nascido para tantos e tão grandes feitos, está estabelecido um limite muito mais próximo.” Não é curto o tempo que temos, mas dele muito perdemos. A vida é suficientemente longa e com generosidade nos foi dada, para a realização das maiores coisas, se a empregamos bem. Mas, quando ela se esvai no luxo e na indiferença, quando não a empregamos em nada de bom, então, finalmente constrangidos pela fatalidade, sentimos que ela já passou por nós sem que tivéssemos percebido. O fato é o seguinte: não recebemos uma vida breve, mas a fazemos, nem somos dela carentes, mas esbanjadores. Tal como abundantes e régios recursos, quando caem nas mãos de um mau senhor, dissipam-se num momento, enquanto que, por pequenos que sejam, se são confiados a um bom guarda, crescem pelo uso, assim também nossa vida se estende por muito tempo, para aquele que sabe dela bem dispor.

Trecho retirado do livro "Sobre a Brevidade da Vida"

SINOPSE: 'Sobre a Brevidade da Vida' é a obra mais difundida do filósofo Lúcio Anneo Sêneca (4 a.C.? - 65 d.C.) e um dos textos mais conhecidos de toda a Antigüidade latina. São cartas dirigidas a Paulino (cuja identidade é controversa), nas quais o sábio discorre sobre a natureza finita da vida humana. São desenvolvidos temas como aprendizagem, amizade, livros e a morte, e, no correr das páginas, vão sendo apresentadas maneiras de prolongar a vida e livrá-la de mil futilidades que a perturbam sem, no entanto, enriquecê-la. Escritas há quase dois mil anos, estas cartas compõem uma leitura inspiradora para todos os homens, a quem ajudam a avaliar o que é uma vida plenamente vivida.



quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Dicas para aproveitar bem a Bienal do Livro SP

Até domingo (dia 12/08) acontece a 25ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, e o Tom Dutra, do "Dicas do Tom", deu algumas dicas para os leitores aproveitarem o máximo essa experiência literária! Compartilho com vocês as dicas dele!

Começou a Bienal do Livro de SP 2018! Confira as Dicas do Tom!

Gente amiga, com muita alegria venho nesse post anunciar a chegada de uma de minhas feiras favoritas! Nem parece, mas já faz dois anos que fiz a cobertura da última e agora a Bienal do Livro de SP 2018 chega chegando com muitas novidades para os gostos de todos os leitores! Vou compartilhar com vocês algumas das que mais me chamaram a atenção nesse primeiro dia de evento!


A Sesi-SP Editora está com seu lindo estand e traz Spirou e Fantasio em peso para os fãs (como eu), o que é uma ótima oportunidade para você colocar a coleção em dia! Além disso há promoções para crianças e adultos, como essa com bottons dos super-heróis para os pequenos leitores que comprarem um livro! Dê uma passada por lá e confira os lançamentos da editora, há muita coisa legal, como o último volume do MARAVILHOSO Blacksad! Já falei sobre essa série aqui, se perdeu, clique AQUI e saiba mais!


A PAULUS traz diversas novidades em seu estande! Sessões de autógrafos de diversos lançamentos com os autores e ilustradores de obras como "Bentinho, o amigo de Deus" e "Amor e Tempestade - Superando as reviravoltas da vida", entre outras! Outro destaque da editora é o divertido Teatro de Marionetes que conta com espetáculos diários, confira a programação para ficar por dentro dos horários de apresentação e conferir que vale muito a pena!


E o estande da Melhoramentos?? O próprio nome já diz, é "melhor" você considerar uma parada obrigatória! (Tu dum tss) Haha! O trocadilho pode ter sido ruim, mas a dica é ótima, vai por mim! Só os lançamentos já são motivo suficiente pra você fazer uma visita! Olha esse crossover épico entre dois dos personagens mais queridos de todos os tempos no livro Mônica e Menino Maluquinho na Montanha Mágica! Coloca mais um "M" aí pra "Maravilhosa" a ideia dessa união! Temos também em destaque o livro "O Karaíba", que conta uma história de antes da chegada dos colonizadores europeus para imaginarmos como era a vida por aqui nesse período. Os habitantes... Quem eram? O que faziam? O que amavam? Vamos ter uma ideia lendo essa obra!


E falando em Turma da Mônica, gente, imperdível o estande da Dentro da História no evento! Ver como as crianças ficam felizes ao se ver interagindo com seus personagens favoritos é algo indescritível! O processo é muito rápido e divertido: em um computador a pessoa vai escolhendo o tipo de cabelo, as cores da pele, os acessórios, tudo para o personagem ficar o mais parecido possível com aquele que está sendo representado! Amei o personagem que virei, olhem só que simpático! Pensando em dar essa oportunidade para todos, além das opções pagas (o livro e a revista para colorir) a empresa disponibiliza o pôster para toda criança que quiser, sem custo! Iniciativa bacana, projeto bacana, resultado bacana, resumindo: imperdível! Passe na "Fantástica Fábrica de Sonhos" e divirta-se muito!


Esse lugar super simpático com esses móveis estilosos é o estande da Editora Autografia e eles prepararam um presente super especial para os visitantes! Você pode retirar gratuitamente o seu exemplar de "Palavreiras", a primeira Antologia de contos e poemas da editora, organizado por Rapha Santos! Para que todos tenham a oportunidade de levar o seu, a editora disponibiliza uma cota por dia, mas fique tranquilo que é um número bem generoso! Já garanti o meu, quando terminar eu compartilho com vocês a resenha em quadrinhos! =D Outra atração no estande foi a autora Carolina Madeira, caracterizada como a Profª Linda de Jesus, personagem de seu livro! No dia 8 de agosto a autora fará uma contação de histórias às 11h30, se for a data de sua visita à feira, reserve o horário!


Pra finalizar, quero compartilhar que me emocionei muito com a performance dessa dupla! Oferecendo poesia aos visitantes com muita alegria, aas meninas da "Hora da História" encantavam a todos que aceitavam! No meu caso, além da "Canção do Vento e da Minha Vida" de Manuel Bandeira, eu ganhei algumas lágrimas, claro. É disso que precisamos! Mais poesia! Para conhecer mais o trabalho dessas talentosas artistas, acessem o site oficial clicando AQUI!

É isso aí, pessoal! Lembrando que essas foram apenas as primeiras impressões do evento, vem muito mais por aí, aguardem! Me sigam também pelo Instagram e Twitter @tomdutradicas ! Tenho postado basante coisa por lá! Fiquem comigo que pelo jeito essa Bienal vai render "Dicas do Tom" como nunca! Yoicks! And awaaaaay!

Tom Dutra

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Tom Dutra é cartunista e parceiro do nosso blog! Acompanhem seu trabalho clicando AQUI, e confiram as críticas em quadrinhos e notícias culturais que ele compartilha! 

Aline Elias

terça-feira, 7 de agosto de 2018

Indicação do blog Mulher-Esqueleto: Onde andará o Rocambole?

Olá pessoal!

Navegando pela internet encontrei no blog "Mulher-Esqueleto" de Eliana Atihé um conteúdo muito interessante que quero compartilhar com vocês! Se você ainda não conhece o blog, clique AQUI e siga, conteúdo que vale a pena acompanhar! Abaixo o conteúdo retirado do blog da autora:

“Onde andará o Rocambole?”


OBLÍVIO – Olvido, esquecimento (Novo Aurélio).

Oblivion, cidade imaginária de Monteiro Lobato, morreu muito antes das de Ítalo Calvino nascerem. “Cidades Mortas”, livro lindo, anda meio esquecido, ele também, na barafunda sombria destes tempos em que Lobato virou racista e Flaubert, misógino. Os neo-puritanos não perdoam e por isso não tenho neles nenhum prazer, citando o Eclesiastes. Passarão, assim como as “cidades moribundas” de Lobato. Com a diferença de que elas, tendo sido bem vividas e imaginadas por ele, acabaram imortalizadas nesta pequenina maravilha. Eu mesma cabo de acordá-las, ao abrir meu livro velhinho, herança do pai da Denise, em busca de um trecho. Eu ouvia no rádio os resultados das últimas pesquisas sobre hábitos de leitura no Brasil e me lembrei de Oblivion.


Segundo Lobato, as tais “Cidades mortas” estavam localizadas no norte do estado de São Paulo, foram erigidas no rastro da “uberdade nativa do solo” e, “de repente”, viram-se “tolhidas de insanável caquexia”. Esvaia-se a fertilidade, “pela reiterada sucção de uma seiva não recomposta” – adoro isso. A alma humana é igual que nem. O “viver decrépito” de Oblivion, porém, ao contrário de muitas almas desertificadas, ocultava três tesouros. Prova da resistência da alma aonde quer que haja livros velhos, pó, mofo, pelo de gato e de cachorro, migalhas, traças etc. Aos viciados em limpeza e alérgicos em geral, esclareço que não estou sendo literal. Ainda bem que Lobato estava lá, morrendo de tédio nos fins de semana, sufocado pelo marasmo reinante, para decidir revirar cacarecos e trazer à tona a alma de Oblivion.
Como eu dizia, e a propósito da Bienal do Livro, outro dia eu escutava no rádio a ladainha dos resultados das tenebrosas pesquisas sobre hábitos de leitura no Brasil, com seus números diminutos feito cocôs de barata (pode pôr na lista do parágrafo anterior). Enquanto eu ouvia, as perguntas fervilhavam. Comprar livro é o mesmo que ler livro? Ler lixo impresso conta? A pessoa que não lê, não lê porque não pode, porque não tem biblioteca pública nem sebo nem livraria na cidade, porque não tem vizinho, colega ou tia que lhe empreste livros? Ou não lê porque não quer, porque não tem vontade nem curiosidade, porque não se interessa em aprender a ler de verdade, porque está com o nariz grudado no celular e com os olhos vidrados numa tela (não de Kindle)? Estou perguntando sem sacanagem, porque afinal número de livros comprados não é número de livros lidos, por exemplo… E perguntar não ofende, certo?

Seja qual for a situação desses não-leitores da pesquisa, acredito que ela não deva ser pior que a dos moradores de Oblivion. Talvez continue igual, cem anos passados. “Desviou-se dela a civilização, o telégrafo não a põe à fala com o resto do mundo, nem as estradas de ferro se lembram de uni-la às redes por intermédio de um humilde ramalzinho”. Muitas cidades no Brasil continuam olvidadas como Oblívion. Com uma diferença capital, porém: em Oblivio havia três livros que circulavam incessantemente entre os habitantes. “Uns volumes truncados do “Rocambole”, para enlevo das imaginações femininas” (Observação de um cidadão: “Infelizmente está incompleto, faltam uns dezessete volumes”), “A ilha maldita”, de Bernardo Guimarães, para enlevo dos paladares nacionalistas” e “La mare d’Auteuil”, de Paulo de Koch, para uso dos conhecedores do francês”. Sim, a biblioteca circulante de três livros de Oblivion tinha uma “sessão” inteira de literatura francesa!

A origem da “biblioteca” de Oblivion desapareceu na aurora dos tempos, Talvez algum padre falecido a tenha legado à cidade, sem querer. Talvez tenha sido acidental, como o Big Bang e a caixa de livros velhos que a vizinha de minha tia Jenny botou na rua um dia. Por sorte, eu estava lá e resgatei dela o dobro do acervo da “biblioteca” de Oblivion. Não vou me delongar, até porque não quero roubar aos leitores deste post o prazer de ler, na íntegra, o capítulo e o livro inteiro. Só quero contar que, certo dia, tendo esgotado os livros que levara, Monteiro Lobato precisou recorrer à “biblioteca” e escolheu o tal “Rocambole”, de um certo Ponson, um livro “velho como um monumento egípcio e, como ele, revestido de inscrições. Cada leitor que passava, ia deixando o rastro gravado a lápis”(…) “E assim, por quanto espaço em branco tinha o livro, margens e fins de capítulos, as apreciações se alastravam, com levíssimas variantes ai sóbrio ‘Li e gostei. inicial. Havia nomes antigos, de pessoas falecidas, e nomes das meninas casadeiras da época”. Oblívion, mesmo na sua caquexia, lia, comentava, circulava, conservava, compartilhava seus três livros.

Não tenho como não terminar senão ecoando de novo Lobato:

“Essa trindade impressa bastava à educação literária da cidade. Feliz cidade! Se é de temer o homem que conhece só um livro, a cidade que só conhece três é de se venerar.”

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Para conferir o conteúdo na publicação original no blog "Mulher-Esqueleto", clique AQUI.

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Canção do Vento e da Minha Vida (Manuel Bandeira)

Canção do Vento e da Minha Vida
Manuel Bandeira

O vento varria as folhas,
O vento varria os frutos,
O vento varria as flores...

E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De frutos, de flores, de folhas. 

O vento varria as luzes,
O vento varria as músicas,
O vento varria os aromas...

E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De aromas, de estrelas, de cânticos. 

O vento varria os sonhos
E varria as amizades...
O vento varria as mulheres...

E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De afetos e de mulheres. 

O vento varria os meses
E varria os teus sorrisos...
O vento varria tudo!

E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De tudo.