quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Esperança por Mario Quintana


ESPERANÇA

Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano

Vive uma louca chamada Esperança

E ela pensa que quando todas as sirenas

Todas as buzinas

Todos os reco-recos tocarem

Atira-se

E

— ó delicioso voo!

Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,

Outra vez criança…

E em torno dela indagará o povo:

— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?

E ela lhes dirá

(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)

Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:

— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA…


Texto extraído do livro “Nova Antologia Poética”, Editora Globo – São Paulo, 1998, pág. 118

quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

Poema de Natal por Vinicius de Moraes


Poema de Natal

Para isso fomos feitos: 

Para lembrar e ser lembrados 

Para chorar e fazer chorar 

Para enterrar os nossos mortos - 

Por isso temos braços longos para os adeuses 

Mãos para colher o que foi dado 

Dedos para cavar a terra. 


Assim será a nossa vida: 


Uma tarde sempre a esquecer 

Uma estrela a se apagar na treva 

Um caminho entre dois túmulos - 

Por isso precisamos velar 

Falar baixo, pisar leve, ver 

A noite dormir em silêncio. 


Não há muito que dizer: 


Uma canção sobre um berço 

Um verso, talvez, de amor 

Uma prece por quem se vai - 

Mas que essa hora não esqueça 

E por ela os nossos corações 

Se deixem, graves e simples. 


Pois para isso fomos feitos: 

Para a esperança no milagre 

Para a participação da poesia 

Para ver a face da morte - 

De repente nunca mais esperaremos... 

Hoje a noite é jovem; da morte, apenas 

Nascemos, imensamente.


Vinicius de Moraes


quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

Há Momentos por Clarice Lispector


Há Momentos


"Há momentos na vida em que sentimos tanto

a falta de alguém que o que mais queremos

é tirar esta pessoa de nossos sonhos

e abraçá-la.


Sonhe com aquilo que você quiser.

Seja o que você quer ser,

porque você possui apenas uma vida

e nela só se tem uma chance

de fazer aquilo que se quer.


Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.

Dificuldades para fazê-la forte.

Tristeza para fazê-la humana.

E esperança suficiente para fazê-la feliz.


As pessoas mais felizes

não têm as melhores coisas.

Elas sabem fazer o melhor

das oportunidades que aparecem

em seus caminhos.

A felicidade aparece para aqueles que choram.

Para aqueles que se machucam.

Para aqueles que buscam e tentam sempre.

E para aqueles que reconhecem

a importância das pessoas que passam por suas vidas.


O futuro mais brilhante

é baseado num passado intensamente vivido.

Você só terá sucesso na vida

quando perdoar os erros

e as decepções do passado.


A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar

duram uma eternidade.

A vida não é de se brincar

porque um belo dia se morre."


Clarice Lispector


* Retirado do site: https://www2.unifap.br/borges/files/2011/03/Po%C3%A9tica-Filosofia-Cultural-Clarice-Lispector.pdf (acesso em 06/12/20)

terça-feira, 8 de dezembro de 2020

Sonhos por Florbela Espanca


Sonhos


Ter um sonho, um sonho lindo,

Noite branda de luar,

Que se sonhasse a sorrir…

Que se sonhasse a chorar…


Ter um sonho, que nos fosse

A vida, a luz, o alento,

Que a sonhar beijasse doce

A nossa boca… um lamento…


Ser pra nós o guia, o norte,

Na vida o único trilho;

E depois ver vir a morte


Despedaçar esses laços!…

…É pior que ter um filho

Que nos morresse nos braços!


Florbela Espanca



sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

Cartas a um jovem poeta - Rainer Maria Rilke


CARTAS A UM JOVEM POETA

"PRIMEIRA CARTA"

" Paris, 17 de Fevereiro de 1903

Prezadíssimo Senhor,

Sua carta alcançou-me apenas há poucos dias. Quero agradecer-lhe a grande e amável confiança. Pouco mais posso fazer. Não posso entrar em considerações acerca da feição de seus versos, pois sou alheio a toda e qualquer intenção crítica. Não há nada menos apropriado para tocar numa obra de arte do que palavras de crítica, que sempre resultam em mal entendidos mais ou menos felizes. As coisas estão longe de ser todas tão tangíveis e dizíveis quanto se nos pretenderia fazer crer; a maior parte dos acontecimentos é inexprimível e ocorre num espaço em que nenhuma palavra nunca pisou. Menos suscetíveis de expressão do que qualquer outra coisa são as obras de arte, - seres misteriosos cuja vida perdura, ao lado da nossa, efêmera.

Depois de feito este reparo, dir-lhe-ei ainda que seus versos não possuem feição própria somente acenos discretos e velados de personalidade. É o que sinto com maior clareza no último poema, "Minha Alma". Aí, algo de peculiar procura expressão e forma. No belo poema "A Leopardi" talvez uma espécie de parentesco com esse grande solitário esteja apontando. No entanto, as poesias nada têm ainda de próprio e de independente, nem mesmo a última, nem mesmo a dirigida a Leopardi. Sua amável carta que as acompanha não deixou de me explicar certa insuficiência que senti ao ler seus versos, sem que a pudesse definir explicitamente. Pergunta se os seus versos são bons. Pergunta-o a mim, depois de o ter perguntado a outras pessoas. Manda-os a periódicos, compara-os com outras poesias e inquieta-se quando suas tentativas são recusadas por um ou outro redator. Pois bem - usando da licença que me deu de aconselhá-lo - peço-lhe que deixe tudo isso. O senhor está olhando para fora, e é justamente o que menos deveria fazer neste momento. Ninguém o pode aconselhar ou ajudar, - ninguém. Não há senão um caminho. Procure entrar em si mesmo. Investigue o motivo que o manda escrever; examine se estende suas raízes pelos recantos mais profundos de sua alma; confesse a si mesmo: morreria, se lhe fosse vedado escrever? Isto acima de tudo: pergunte a si mesmo na hora mais tranqüila de sua noite:"Sou mesmo forçado a escrever?" Escave dentro de si uma resposta profunda. Se for afirmativa, se puder contestar àquela pergunta severa por um forte e simples "sou", então construa a sua vida de acordo com esta necessidade. Sua vida, até em sua hora mais indiferente e anódina, deverá tornar-se o sinal e o testemunho de tal pressão. Aproxime-se então da natureza. Depois procure, como se fosse o primeiro homem, dizer o que vê, vive, ama e perde. Não escreva poesias de amor. Evite de início as formas usuais e demasiado comuns: são essas as mais difíceis, pois precisa-se de uma força grande e amadurecida para se produzir algo de pessoal num domínio em que sobram tradições boas, algumas brilhantes. Eis por que deve fugir dos motivos gerais para aqueles que a sua própria existência cotidiana lhe oferece; relate tudo isso com íntima e humilde sinceridade. Utilize, para se exprimir, as coisas de seu ambiente, as imagens de seus sonhos e os objetos de suas lembranças. Se a própria existência cotidiana lhe parecer pobre, não a acuse. Acuse a si mesmo, diga consigo que não é bastante poeta para extrair as suas riquezas. Para o criador, com efeito, não há pobreza nem lugar mesquinho e indiferente. Mesmo que se encontrasse numa prisão, cujas paredes impedissem todos os ruídos do mundo de chegar aos seus ouvidos, não lhe ficaria sempre sua infância, essa esplêndida e régia riqueza, esse tesouro de recordações? Volte a atenção para ela. Procure soerguer as sensações submersas desse longínquo passado: sua personalidade há de reforçar-se, sua solidão há de alargar-se e transformar-se numa habitação entre lusco e fusco diante da qual o ruído dos outros passa longe, sem nela penetrar. Se depois desta volta para dentro, deste ensimesmar-se, brotarem versos, não mais pensará em perguntar seja a quem for se são bons. Nem tão pouco tentará interessar as revistas por esses seus trabalhos, pois há de ver neles sua querida propriedade natural, um pedaço e uma voz de sua vida. Uma obra de arte é boa quando nasceu por necessidade. Neste caráter de origem está o seu critério, - o único existente. Também, meu prezado senhor, não lhe posso dar outro conselho fora deste: entrar em si e examinar as profundidades de onde jorra a sua vida; na fonte desta é que encontrará a resposta à questão de saber se deve criar. Aceite-a tal como se lhe apresentar à primeira vista sem procurar interpretá-la. Talvez venha significar que o senhor é chamado a ser um artista. Nesse caso aceite o destino e carregue-o com seu peso e sua grandeza, sem nunca se preocupar com recompensa que possa vir de fora. O criador, com efeito, deve ser um mundo para si mesmo e encontrar tudo em si e nessa natureza a que se aliou.

Mas talvez se dê o caso de, após essa descida em si mesmo e em seu âmago solitário, ter o senhor de renunciar a se tornar poeta.

(Basta, como já disse, sentir que se poderia viver sem escrever para não mais se ter o direito de fazê-lo). Mesmo assim, o exame de consciência que lhe peço não terá sido inútil. Sua vida, a partir desse momento, há de encontrar caminhos próprios. Que sejam bons, ricos e largos é o que lhe desejo, muito mais do que lhe posso exprimir.

Que mais lhe devo dizer? Parece-me que tudo foi acentuado segundo convinha. Afinal de contas, queria apenas sugerir-lhe que se deixasse chegar com discrição e gravidade ao termo de sua evolução. Nada a poderia perturbar mais do que olhar para fora e aguardar de fora respostas a perguntas a que talvez somente seu sentimento mais íntimo possa responder na hora mais silenciosa.

Foi com alegria que encontrei em sua carta o nome do professor Hoaracek; guardo por esse amável sábio uma grande estima e uma gratidão que desafia os anos. Fale-lhe, por favor, neste sentimento. É bondade dele lembrar-se ainda de mim; e eu sei apreciá-la.

Restituo-lhe ao mesmo tempo os versos que me veio confiar amigavelmente. Agradeço-lhe mais uma vez a grandeza e a cordialidade de sua confiança. Procurei por meio desta resposta sincera, feita o melhor que pude, tornar-me um pouco mais digno dela do que realmente sou, em minha qualidade de estranho.

Com todo o devotamento e toda a simpatia,

Rainer Maria Rilke"

Esta Primeira Carta do livro "Cartas a um jovem poeta", foi traduzida por Cecília Meireles, retirados da edição : "Cartas a um jovem poeta e Canção de Amor e morte do porta-estandarte Cristovão Rilke", Editora Globo, 1983.

Acesso em 28/11/20

segunda-feira, 23 de novembro de 2020

Canção de uma Dona na Sombra - Poema de Paul Celan


Quando vem a taciturna e poda as tulipas:

Quem sai ganhando?

Quem perde?

Quem aparece na janela?

Quem diz primeiro o nome dela?

É alguém que carrega meus cabelos.

Carrega-os como quem carrega mortos nos braços.

Carrega-os como o céu carregou meus cabelos no ano em

[que amei.

Carrega-os assim por vaidade.


E ganha.

E não perde.

E não aparece na janela.

E não diz o nome dela.

É alguém que tem meus olhos.

Tem-nos desde quando portas se fecham.

Carrega-os no dedo, como anéis.

Carrega-os como cacos de desejo e safira:

era já meu irmão no outono;

conta já os dias e noites.


E ganha.


E não perde.

E não aparece na janela.

E diz por último o nome dela.

É alguém que tem o que eu disse.

Carrega-o debaixo do braço como um embrulho.

Carrega-o como o relógio a sua pior hora.

Carrega-o de limiar a limiar, não o joga fora.


E não ganha.

E perde.

E aparece na janela.

E diz primeiro o nome dela.


E é podado com as tulipas.


Paul Celan
(Tradução: Claudia Cavalcanti)

quinta-feira, 19 de novembro de 2020

Vaidade - Poema de Florbela Espanca


VAIDADE

Sonho que sou a Poetisa eleita,
Aquela que diz tudo e tudo sabe,
Que tem a inspiração pura e perfeita,
Que reúne num verso a imensidade!

Sonho que um verso meu tem claridade
Para encher todo o mundo! E que deleita
Mesmo aqueles que morrem de saudade!
Mesmo os de alma profunda e insatisfeita!

Sonho que sou Alguém cá neste mundo...
Aquela de saber vasto e profundo,
Aos pés de quem a terra anda curvada!

E quando mais no céu eu vou sonhando,
E quando mais no alto ando voando,
Acordo do meu sonho... E não sou nada! ...

Florbela Espanca


quarta-feira, 11 de novembro de 2020

O Que Foi Aí - Poema de Hans Magnus Enzensberger


O QUE FOI AÍ

Foi algo de bom,
passou,
por aí.
Pena,
que seja tão difícil
de lembrar
algo de bom.
Saber,
como realmente era.
Como foi real.

Foi, creio,
algo bastante comum,
fantástico.
Algo que
creio ter visto,
ou cheirado,
ou pegado.

Mas se era grande
ou pequeno,
novo ou velho,
claro ou escuro,
isso já não sei.

Só que era melhor
que o que aí está,
muito melhor,
isso ainda eu sei.

Hans Magnus Enzensberger



segunda-feira, 9 de novembro de 2020

Cogito - Poema de Torquato Neto


COGITO

eu sou como eu sou
pronome
pessoal intransferível
do homem que iniciei
na medida do impossível
eu sou como eu sou
agora
sem grandes segredos dantes
sem novos secretos dentes
nesta hora
eu sou como eu sou
presente
desferrolhado indecente
feito um pedaço de mim
eu sou como eu sou
vidente
e vivo tranqüilamente
todas as horas do fim

Torquato Neto



segunda-feira, 2 de novembro de 2020

Feliz Dia dos Mortos!

Olá, queridos leitores!

Hoje quero compartilhar com vocês este vídeo em que participei com o meu grupo das Semeadoras de histórias do Atelier Ocuilli, o grupo celebra o dia dia mortos!

Espero que gostem, e Feliz Dia dos Mortos!

Aline Elias

domingo, 25 de outubro de 2020

Poema de Pablo Picasso

 

Poema de Pablo Picasso


Deita fora todos os números não essenciais à tua sobrevivência.
Isso inclui idade, peso e altura.
Deixa o médico preocupar-se com eles.
É para isso que ele é pago.
Frequenta, de preferência, amigos alegres.
Os de "baixo astral" põem-te em baixo.
Continua aprendendo...
Aprende mais sobre computador, artesanato, jardinagem, qualquer coisa.
Não deixes o teu cérebro desocupado.
Uma mente sem uso é a oficina do diabo.
E o nome do diabo é Alzheimer.

Aprecia coisas simples.
Ri sempre, muito e alto.
Ri até perder o fôlego.
Lágrimas acontecem.
Aguenta, sofre e segue em frente.
A única pessoa que te acompanha a vida toda és tu mesmo.
Mantém-te vivo, enquanto vives!

Rodeia-te daquilo de que gostas:
Família, animais, lembranças, músicas, plantas, um hobby, o que for.
O teu lar é o teu refúgio.
Aproveita a tua saúde;
Se for boa, preserva-a.
Se está instável, melhora-a.
Se está abaixo desse nível, pede ajuda.
Não faças viagens de remorso.
Viaja para a cidade vizinha, para um país estrangeiro, mas não faças viagens ao passado.
Diz a quem amas, que realmente os amas, em todas as oportunidades.

E lembra-te sempre que:
A vida não é medida pelo número de vezes que respiraste, mas pelos momentos
Em que perdeste o fôlego:
De tanto rir...
De surpresa...
De êxtase...
De felicidade...

quinta-feira, 15 de outubro de 2020

Os Professores - Poema de Carlos Drummond de Andrade



OS PROFESSORES

O professor disserta

Sobre ponto difícil do programa.

Um aluno dorme,

Cansado das canseiras desta vida.

O professor vai sacudi-lo?

Vai repreendê-lo?

Não.

O professor baixa a voz

Com medo de acordá-lo.


Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Fanatismo - Poema de Florbela Espanca


FANATISMO

Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida.
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!

“Tudo no mundo é frágil, tudo passa... ”
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, digo de rastros:
“Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: Princípio e Fim! ... ”

Florbela Espanca

quinta-feira, 1 de outubro de 2020

Para a minha mãe - Poema de Aline Elias



Para a minha mãe

Te vejo entre cortinas

Tecidos que abrem e fecham 

Correndo para esquerda 

e para a direita 

Subindo para cima 

e para baixo

Franzidos de máquina 

ou costurados na mão 

Grossos como a sarja 

ou finos como o voil 

Seguros pelas argolas

ou soltos nos rodizios

Veludos contra a luz

ou cetim brilhante 

Não permitem a claridade

Enquanto esperam por você.

Aline Elias


terça-feira, 22 de setembro de 2020

A Paz - Canção de Gilberto Gil e João Donato


A Paz

A paz invadiu o meu coração
De repente me encheu de paz
Como se o vento de um tufão
Arrancasse meus pés do chão
Onde eu já não me enterro mais

A paz fez um mar da revolução
Invadir meu destino, a paz
Como aquela grande explosão
Uma bomba sobre o Japão
Fez nascer o Japão da paz

Eu pensei em mim
Eu pensei em ti
Eu chorei por nós
Que contradição
Só a guerra faz
Nosso amor em paz

Eu vim
Vim parar na beira do cais
Onde a estrada chegou ao fim
Onde o fim da tarde é lilás
Onde o mar arrebenta em mim
O lamento de tantos "ais"

A paz invadiu o meu coração
De repente me encheu de paz
Como se o vento de um tufão
Arrancasse meus pés do chão
Onde eu já não me enterro mais

A paz fez um mar da revolução
Invadir meu destino, a paz
Como aquela grande explosão
Uma bomba sobre o Japão
Fez nascer o Japão da paz

Eu pensei em mim
Eu pensei em ti
Eu chorei por nós
Que contradição
Só a guerra faz
Nosso amor em paz

Eu vim
Vim parar na beira do cais
Onde a estrada chegou ao fim
Onde o fim da tarde é lilás
Onde o mar arrebenta em mim
O lamento de tantos "ais"
"Ais"
"Ais"
Uh, a paz, uh

Gilberto Gil e João Donato

sexta-feira, 18 de setembro de 2020

Autopsicografia - Poema de Fernando Pessoa



AUTOPSICOGRAFIA

O poeta é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que leem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

Fernando Pessoa

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

O Carrinho de Mão Vermelho por William Carlos Williams


O CARRINHO DE MÃO VERMELHO

tanta coisa depende
de um

carrinho de mão
vermelho

vítreo de água
da chuva

ao lado das galinhas
brancas.

William Carlos Williams

***

Poema extraído de "William Carlos Williams - Poemas"
Tradução de José Paulo Paes - Companhia das Letras, São Paulo, 1987




domingo, 23 de agosto de 2020

INFÂNCIA por Carlos Drummond de Andrade



INFÂNCIA

Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.
Minha mãe ficava sentada cosendo.
Meu irmão pequeno dormia
Eu sozinho, menino entre mangueiras
lia história de Robinson Crusoé,
comprida história que não acaba mais.

No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu
a ninar nos longes da senzala - e nunca se esqueceu
chamava para o café.
café preto que nem a preta velha
café gostoso
café bom

Minha mãe ficava sentada cosendo
olhando para mim:
- Psiu... não corde o menino.
Para o berço onde pousou um mosquito
E dava um suspiro... que fundo !

Lá longe meu pai campeava
no mato sem fim da fazenda.

E eu não sabia que minha história
era mais bonita que a de Robinson Crusoé.

Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, 21 de agosto de 2020

Saber Viver por Cora Coralina


Saber Viver

Não sei…
se a vida é curta
ou longa demais para nós.
Mas sei que nada do que vivemos
tem sentido,
se não tocarmos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser:
colo que acolhe,
braço que envolve,
palavra que conforta,
silêncio que respeita,
alegria que contagia,
lágrima que corre,
olhar que sacia,
amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo:
é o que dá sentido à vida.

É o que faz com que ela
não seja nem curta,
nem longa demais,
mas que seja intensa,
verdadeira e pura…
enquanto durar.

Cora Coralina

quinta-feira, 20 de agosto de 2020

Aninha e Suas Pedras por Cora Coralina


Aninha e Suas Pedras

Não te deixes destruir…
Ajuntando novas pedras
e construindo novos poemas.
Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.
Faz de tua vida mesquinha
um poema.
E viverás no coração dos jovens
e na memória das gerações que hão de vir.
Esta fonte é para uso de todos os sedentos.
Toma a tua parte.
Vem a estas páginas
e não entraves seu uso
aos que têm sede.

Cora Coralina

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

As artes são irmãs por Gonçalves Dias



AS ARTES SÃO IRMÃS

As artes são irmãs, e os seus cultores
Do fogo criador nas mesmas chamas,
Perante o mesmo altar, coroam-se, ardendo.
A mesma inspiração, que acende o estro,
Guia a mão do pintor quando debuxa
Do rosto nas feições o brilho interno,
Dá linguagem sublime à estátua muda,
Ou lânguida na lira se transforma
Em sons cadentes, que derramam n’alma
Idéias do prazer — do mal no olvido!
O mesmo entusiasmo as vivifica,
São iguais, são irmãs no amor do belo!

Gonçalves Dias



quarta-feira, 29 de julho de 2020

A Vida por Florbela Espanca


A VIDA

É vão o amor, o ódio, ou o desdém;
Inútil o desejo e o sentimento...
Lançar um grande amor aos pés de alguém
O mesmo é que lançar flores ao vento!

Todos somos no mundo «Pedro Sem»,
Uma alegria é feita dum tormento,
Um riso é sempre o eco dum lamento,
Sabe-se lá um beijo de onde vem!

A mais nobre ilusão morre... desfaz-se...
Uma saudade morta em nós renasce
Que no mesmo momento é já perdida...

Amar-te a vida inteira eu não podia.
A gente esquece sempre o bem de um dia.
Que queres, meu Amor, se é isto a vida!



quarta-feira, 15 de julho de 2020

ESCÁRNIO PERFUMADO por Cruz e Sousa


ESCÁRNIO PERFUMADO

Quando no enleio
De receber umas notícias tuas,
Vou-me ao correio,
Que é lá no fim da mais cruel das ruas,
Vendo tão fartas,
D'uma fartura que ninguém colige,
As mãos dos outros, de jornais e cartas
E as minhas, nuas — isso dói, me aflige...
E em tom de mofa,
Julgo que tudo me escarnece, apoda,
Ri, me apostrofa,
Pois fico só e cabisbaixo, inerme,
A noite andar-me na cabeça, em roda,
Mais humilhado que um mendigo, um verme...

Cruz e Sousa



Faixas de Quarentena - Aline Elias


FAIXAS DE QUARENTENA

A criança tem alma curadora

Quero outra identidade e uma boia

Sem utopia sou o agora

Os sonhos são ligados a vida

As imagens psicológicas são visões

Tudo que é ruim para a vida é bom para a literatura.

Os humanos feitos heróis pela mídia

Não tínhamos tanto erro para dar errado

A caridade requer ação verdadeira.

Falho em qualquer busca que eu faça para compreender

A deriva posso sentir a pureza da alegria

Cadê a bússola ? Perdi o norte

To engolindo o tempo goela abaixo

Cercados por grades e dentro essa destruição e agitação e construção.

Aline Elias

quarta-feira, 24 de junho de 2020

Folhas de Rosa - Florbela Espanca


FOLHAS DE ROSA

Todas as prendas que me deste, um dia,
Guardei-as, meu encanto, quase a medo,
E quando a noite espreita o pôr-do-sol,
Eu vou falar com elas em segredo...

E falo-lhes d’amores e de ilusões,
Choro e rio com elas, mansamente...
Pouco a pouco o perfume do outrora
Flutua em volta delas, docemente...

Pelo copinho de cristal e prata
Bebo uma saudade estranha e vaga,
Uma saudade imensa e infinita
Que, triste, me deslumbra e m’embriaga

O espelho de prata cinzelada,
A doce oferta que eu amava tanto,
Que reflectia outrora tantos risos,
E agora reflecte apenas pranto,

E o colar de pedras preciosas,
De lágrimas e estrelas constelado,
Resumem em seus brilhos o que tenho
De vago e de feliz no meu passado...

Mas de todas as prendas, a mais rara,
Aquela que mais fala à fantasia,
São as folhas daquela rosa branca
Que a meus pés desfolhaste, aquele dia...

Florbela Espanca

sexta-feira, 19 de junho de 2020

O Poeta - Rainer Maria Rilke


O POETA

Já te despedes de mim, Hora.
Teu golpe de asa é o meu açoite.
Só: que fazer da boca, agora?
Que fazer do dia, da noite?

Sem paz, sem amor, sem teto,
caminho pela vida afora.
Tudo aquilo em que ponho afeto
fica mais rico e me devora.

Rainer Maria Rilke

quinta-feira, 4 de junho de 2020

Poema de Rainer Maria Rilke


Minha vida não é esta hora a pique
em que me vês tão afobado.
Eu sou uma árvore em frente ao interior de mim.
Sou uma só de minhas muitas bocas
e aquela que primeiro há de fechar-se.

Sou aquele intervalo entre duas notas
que só dificilmente se harmonizam,
e é quando o tom da morte vai mais alto.

Mas no escuro intervalo as duas soam,
trêmulas ambas.

E é bonito o canto.

RILKE, Rainer Maria. Livro de horas. Trad. Geir Campos. 
Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1993, p.35.

quinta-feira, 28 de maio de 2020

Consciência Cósmica - Guimarães Rosa


Consciência Cósmica

Já não preciso de rir.
Os dedos longos do medo
largaram minha fronte.
E as vagas do sofrimento me arrastaram
para o centro do remoinho da grande força,
que agora flui, feroz, dentro e fora de mim…

Já não tenho medo de escalar os cimos
onde o ar limpo e fino pesa para fora,
e nem deixar escorrer a força dos meus músculos,
e deitar-me na lama, o pensamento opiado…

Deixo que o inevitável dance, ao meu redor,
a dança das espadas de todos os momentos.
e deveria rir, se me retasse o riso,
das tormentas que poupam as furnas da minha alma,
dos desastres que erraram o alvo do meu corpo…

Guimarães Rosa

quinta-feira, 21 de maio de 2020

Inimigo mortal, livro laçado pela Intrínseca, ajuda a entender a atual pandemia de Covid-19

O novo coronavírus, responsável pela Covid-19, pegou a maior parte da população mundial de surpresa e deixou a vida no planeta em suspenso, enquanto cientistas buscam incessantemente tratamentos e vacinas contra esse inimigo invisível. Poderia ter sido diferente. Em Inimigo mortal: Nossa guerra contra os germes assassinos, Michael T. Osterholm, um dos grandes nomes da epidemiologia internacional, mostra como poderíamos estar muito mais bem preparados para essa pandemia e analisa diversos outros surtos e epidemias de doenças infecciosas, como Sars, Aids e Ebola, suas causas e desdobramentos. Escrito com Mark Olshaker, coautor de outro grande sucesso de não ficção, Mindhunter, o livro chega ao Brasil pela Intrínseca em maio e certamente dará ferramentas para compreendermos a pandemia que estamos vivendo.


Males como câncer e cardiopatias têm efeitos arrasadores, em grande parte das vezes restritos aos indivíduos e seus familiares. Desastres naturais provocam destruição, geralmente em uma área limitada e por um período mais curto. Nada, no entanto, se compara às doenças infecciosas, que têm o terrível poder de impactar o cotidiano das pessoas em escala global, consumindo de forma avassaladora recursos públicos e privados, interrompendo o comércio e o transporte. Como as explosões de Covid-19, Ebola, Mers e Zika demonstraram, estamos lamentavelmente despreparados para lidar com o colapso mundial. Então o que pode — e deve — ser feito para nos proteger do inimigo mais mortal dos seres humanos? 

Com base no que há de mais recente nas ciências médicas, estudos de caso, pesquisas e lições epidemiológicas aprendidas a duras penas, Inimigo Mortal explora os recursos e programas que precisamos desenvolver para nos manter a salvo de doenças infecciosas. Os autores mostram como devemos enfrentar essa nova realidade em que muitos antibióticos não curam mais, o bioterrorismo é uma certeza e a ameaça de outra pandemia desastrosa só aumenta a cada dia. Apenas entendendo os desafios que estamos enfrentando seremos capazes de impedir que o impensável se torne inevitável.

“Este livro vai mudar a maneira como você pensa. Claro, bem escrito, com uma narrativa digna de Stephen King. Se todas as pessoas – sobretudo as pessoas certas – tiverem acesso a esse livro, ele terá o potencial de fazer o que poucos livros podem: salvar muitas vidas.”

John M. Barry, autor de A grande gripe

INIMIGO MORTAL: NOSSA GUERRA CONTRA OS GERMES ASSASSINOS

Tradução: Ana Rodrigues, Bruno Casotti, Jaime Biaggio e Marina Vargas
Páginas: 304
Editora: Intrínseca
Livro impresso: R$ 49,90
E-BOOK: R$ 34,90



quinta-feira, 14 de maio de 2020

Autor brasileiro conquista dois prêmios internacionais de literatura e cativa fãs nos EUA e Europa

Comemorando um ano do lançamento do primeiro livro de fantasia do escritor brasileiro P.J. Maia, ESPÍRITO PERDIDO (The Missing Spirit), a obra acaba de conquistar o prêmio de “Melhor Livro de Fantasia” no Independent Press Award, em Nova York, uma competição julgada por experts de diversas áreas da indústria literária, incluindo editoras, autores, revisores, diretores de arte e redatores profissionais. Os vencedores de cada categoria são escolhidos a partir de quesitos de excelência no geral.

“Neste ano tivemos uma quantidade extensa de inscrições e encontramos obras excelentes, todas publicadas de forma independente. Foi muito satisfatório perceber que autores independentes estão prosperando mundo afora,” comenta Gabrielle Olczak, uma das patrocinadoras da premiação.


Este não é o primeiro prêmio conquistado pela obra. Em março deste ano, o livro ESPÍRITO PERDIDO conquistou o “Red Ribbon”, prêmio de Escolha dos Leitores no Wishing Shelf Awards, premiação sediada em Londres e voltada para o público juvenil, onde os títulos são avaliados por grupos de jovens leitores no Reino Unido e na Suécia.

“Foi uma surpresa muito bacana. Você passa tanto tempo sozinho criando e escrevendo uma história que, depois que ela vai a público, dá muita vontade de ter todo e qualquer tipo de resposta. Até o momento meu único termômetro eram os recados de leitores no Instagram e em plataformas de livros, então essas premiações sem dúvida trazem um ânimo extra para continuar trabalhando na continuação da história,” conta entusiasmado o autor P.J. Maia.

Decidido a disputar espaço no mercado global de literatura fantástica de forma independente, o jovem autor brasileiro parece estar dando os primeiros passos na direção certa. O segundo livro da saga já entrou em produção, principalmente, nestes tempos de quarentena, em que todos estão confinados, o autor pretende de forma criativa dar sequencia ao seu trabalho tão bem recebido pelo público e crítica.

SOBRE “ESPÍRITO PERDIDO”:

P. J. Maia lançou sua primeira obra com os olhos no mercado global de literatura fantástica; o livro foi originalmente escrito em inglês com o título The Missing Spirit, foi publicado no primeiro semestre de 2019 na Amazon.com em versão impressa e eBook. Logo depois chegou às livrarias brasileiras, a versão traduzida para o português por Robson Falcheti Peixoto e com a arte da capa criada pelo ilustrador argentino Nico Lassalle.  A versão brasileira também conta com um audiobook narrado por Ana Maria Morais.

Voltado para o público jovem adulto, o livro “Espírito Perdido” se passa numa era remota, quando o planeta Terra era povoado por homens das cavernas e seres divinos. É nesta pré-história mística que conhecemos Keana, uma refugiada humana criada longe de sua tribo. No reino fugaz de Divagar, deuses e deusas desfrutam de luxo e vida eterna, às custas dos humanos comuns. Não conhecem fome, perigo ou morte, trancafiados num paraíso ensolarado.

Numa tentativa desesperada de se tornar divina e ser finalmente igual aos demais, Keana burla todas as regras e acaba trazendo a morte para o reino. Ameaçados com a perda de seus privilégios, os deuses percebem que precisarão fazer sacrifícios para permanecerem imortais e no controle da Terra. Mesmo que o sacrifício seja a vida da garota.

Confira o teaser vídeo do livro criado por Adriano Cobaia, que de forma animada apresenta um pouco da obra: 



SINOPSE OFICIAL: Há duzentos mil anos, várias espécies proto-humanas vagavam pela Terra. Entre elas, uma não foi documentada: os Divinos. Esse povo imortal tinha dons e habilidades fenomenais, alimentados por um mineral misterioso remanescente de um asteroide conhecido como pedrazul.
Espírito Perdido começa num momento em que a sociedade Divina se tornou altamente sofisticada, enquanto os povos selvagens do mundo exterior ainda lutam para fazer fogo, caçar gigantes lanosos e sobreviver a uma árdua Era do Gelo.

Vivendo em Lúmen, coração da civilização Divina, KEANA MILFORT é uma garota de quinze anos que sempre foi diferente. Sua pele negra descorada e seus cabelos e olhos cor de mel são lembretes dolorosos de sua herança desconhecida. Mas agora, à beira da idade adulta, outra coisa fez com que se destacasse: todos da sua idade receberam um convite para se candidatar à LÚMEN ACADEMIA. Todos menos ela. O evento de transição é o momento em que os jovens descobrem se receberão seus próprios poderes sobrenaturais ou se serão dispensados e forçados a entrar para a desprezível categoria de REGULAR.

Frustrada por não receber um convite, a jovem não consegue se conformar com um destino angustiante como regular e decide agir. Mas se Keana conseguir trazer à luz sua herança proibida, os Divinos poderão ter de fazer sacrifícios para proteger seus poderes, seu privilégio e sua imortalidade. Mesmo que esse sacrifício seja a vida dela.

CRÍTICAS INTERNACIONAIS

"Escrito por um autor com um talento genuíno para a originalidade e com um estilo narrativo distintamente cativante, ESPÍRITO PERDIDO é uma vitrine da maestria de P.J. Maia dentro do gênero de literatura fantástica e deixará os leitores ansiosos pelo próximo volume." – MIDWEST BOOK REVIEW

"Uma aventura lendária de moral forte e latente. Vencedora do “Red Ribbon” e altamente recomendada.” – THE WISHING SHELF BOOK AWARDS

"Uma introdução valiosa a um grande mundo, com personagens ricos, profundos, que deve atrair os leitores às continuações”. - KIRKUS REVIEWS

“A criatividade despejada nesta intensa história fica evidente a cada página deste exemplar fascinante do gênero, mostrando que Maia é uma força a ser reconhecida”. - SELF-PUBLISHING REVIEW

“Com ESPÍRITO PERDIDO, P. J. Maia cria com sucesso a base de uma nova série em potencial, agradando leitores com personagens fáceis de gostar, novos mundos e tramas costuradas de forma complexa”. - INDIE READER

SOBRE O AUTOR: 

PAULO JOSÉ MAIA nasceu em 1986, em Campo Grande – MS. É filho de mãe engenheira e pai empresário, e tem um irmão mais velho artista plástico. Quando criança, era fascinado por idiomas e fábulas fantásticas. Aos 15 anos, já fluente em inglês, foi morar nos Estados Unidos, onde seus colegas apelidaram-no de P. J. (apelido que emprega até hoje). Sob a recomendação de sua professora de inglês em Sioux Falls, Dakota do Sul, P. J. entrou na Associação de Escritores de sua escola. Mais tarde, se formou em Rádio & TV na Fundação Armando Álvares Penteado em São Paulo e se mudou para Nova York, onde estudou roteiro de cinema na NYU e começou uma carreira como produtor audiovisual. Desde então, vive entre dois mundos, criando aventuras em sua mente.

“Falo inglês desde criança e morei um bom tempo nos EUA. Foi uma professora americana de literatura quem me percebeu como escritor pela primeira vez, então escrever ficção em inglês acabou se tornando instintivo a partir dali. Como ‘Espírito Perdido’ se passa na Idade da Pedra, não é uma história que se aproxima mais de uma nacionalidade ou de outra; é uma história sobre a humanidade. Além disso, a ideia de atingir um número maior de leitores com o inglês me pareceu um ponto positivo. Hoje moro no Brasil e tenho minha vida aqui, então acho importante ter uma versão em português disponível para os leitores do meu país.” – P. J. Maia.

Redes Sociais:

quarta-feira, 6 de maio de 2020

Dionísio por Aline Elias


Dionísio
Mestre das uvas
Espremidas e fermentadas
Bebida do deus jovem
Da desordem e do imprevisto
Do mundo sem resposta
Que faz o corpo perder controle
O espírito relaxar
A alma subir e vir à tona
Rindo e chorando
Alegre e desesperada
Embriagada e aliviada
E de novo a procura
Da videira a primeira
A busca do início
Daquela momentânea
Cura da dor

Aline Elias

quarta-feira, 22 de abril de 2020

Fragmentos sobre a instalação Doug Autken

Lembrando de Inhotim (manhã do dia 19/06/11)
Fragmentos sobre a instalação Doug Autken
Arquitetura, paisagismo e obra de arte.

Dois conceitos, a pedra é a entrada e a saída.  Estamos na nave ou em casa? Primeiro no centro da instalação, quanto mais longe mais claro. O som vêm. De onde ? Como é captado ? Vai e volta, como um mantra. Ouvindo a 202 metros abaixo da terra.

No vidro circulam películas que confundem, produzem cores e o sol fura como uma bola de ouro. No domus o universo e abaixo a madeira fria. De cima vêm o calor, o círculo redondo, o coraçao, o sagrado, a sinagoga, a mesquita, a nave católica.

Ajoelho, deito grudada ao chão e vejo um opi art. Lá fora tudo é perfeito, aqui dentro respire com a terra. Deus existe.

Aline Elias



segunda-feira, 20 de abril de 2020

A IDEIA - AUGUSTO DOS ANJOS


A IDEIA

De onde ela vem?! De que matéria bruta
Vem essa luz que sobre as nebulosas
Cai de incógnitas criptas misteriosas
Como as estalactites duma gruta?!
Vem da psicogenética e alta luta
Do feixe de moléculas nervosas,
Que, em desintegrações maravilhosas,
Delibera, e depois, quer e executa!
Vem do encéfalo absconso que a constringe,
Chega em seguida às cordas da laringe,
Tísica, tênue, mínima, raquítica...
Quebra a força centrípeta que a amarra,
Mas, de repente, e quase morta, esbarra
No molambo da língua paralítica!

Augusto dos Anjos
Retirado do livro Eu e Outras Poesias, de Augusto dos Anjos
Disponível no site www.dominiopublico.gov.br

quarta-feira, 15 de abril de 2020

THE OUTSIDERS - Livro que deu origem ao clássico filme de Coppola ganha edição de luxo

Publicado pela primeira vez em 1967, nos Estados Unidos, e imortalizado em 1983 pelo filme dirigido por Francis Ford Coppola, THE OUTSIDERS: VIDAS SEM RUMO de S. E. Hinton é um clássico da literatura jovem que transformou o gênero ao tratar, com complexidade e sensibilidade, de uma juventude marginalizada em um cotidiano sombrio e violento. A obra que marcou gerações foi traduzida para mais de trinta idiomas e alcançou a marca de mais de 15 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo.


Na pequena cidade de Tulsa, os jovens se dividem entre os Greasers — com suas jaquetas de couro, o cabelo com brilhantina, os canivetes em punho e o cotidiano marcado pela violência e pela falta de perspectiva — e os Socs, que moram no lado rico da cidade, frequentam os melhores lugares e conseguem se safar das piores situações. Ponyboy Curtis tem apenas quatorze anos e, junto dos companheiros Greasers, tenta escapar de uma vida sem futuro. Apaixonado por cinema e por livros, ele encontra nessas histórias uma chance de conhecer outra realidade. Tudo parece sob controle, até que uma perseguição dos Socs tem um desfecho inesperado.

The Outsiders: Vidas sem rumo é um retrato comovente de uma juventude que precisa encarar a solidão, a revolta e a violência em sua jornada de amadurecimento. Mais de cinco décadas após o lançamento do livro, a história ainda encanta jovens e adultos, mostrando-se atemporal. Em abril, a Intrínseca lança uma edição de luxo desse clássico, com capa dura e pintura trilateral, além de prefácio da jornalista e crítica de cinema Ana Maria Bahiana, entrevista com a autora S. E. Hinton e uma seção dedicada aos bastidores do filme.

SUSAN ELOISE HINTON nasceu em Tulsa, Oklahoma. Sua carreira de escritora começou ainda jovem, quando, incomodada com os confrontos entre as duas gangues de sua escola, ela pôs no papel o que se tornaria The Outsiders: Vidas sem rumo, sua obra de maior repercussão, adaptada para o cinema por Francis Ford Coppola em 1983. Em 1988, Hinton foi agraciada na primeira edição do Margaret A. Edwards Award, prêmio da American Library Association dedicado às obras voltadas ao público jovem. Publicou nove livros ao todo e mora com o marido em Tulsa, onde dedica seu tempo à escrita, a relaxar e a andar a cavalo, uma de suas maiores paixões.

Tradução: Ana Guadalupe
Páginas: 240
Editora: Intrínseca
Livro impresso: R$ 49,90
E-BOOK: R$ 34,90



quarta-feira, 8 de abril de 2020

Aqui está-se sossegado - Fernando Pessoa


Aqui está-se sossegado
Fernando Pessoa

Aqui está-se sossegado,
Longe do mundo e da vida,
Cheio de não ter passado,
Até o futuro se olvida.
Aqui está-se sossegado.

Tinha os gestos inocentes,
Seus olhos riam no fundo.
Mas invisíveis serpentes
Faziam-a ser do mundo.
Tinha os gestos inocentes.

Aqui tudo é paz e mar.
Que longe a vista se perde
Na solidão a tornar
Em sombra o azul que é verde!
Aqui tudo é paz e mar.

Sim, poderia ter sido...
Mas vontade nem razão
O mundo têm conduzido
A prazer ou conclusão.
Sim, poderia ter sido...

Agora não esqueço e sonho.
Fecho os olhos, oiço o mar
E de ouvi-lo bem, suponho
Que veio azul a esverdear.
Agora não esqueço e sonho.

Não foi propósito, não.
Os seus gestos inocentes
Tocavam no coração
Como invisíveis serpentes.
Não foi propósito, não.

Durmo, desperto e sozinho.
Que tem sido a minha vida?
Velas de inútil moinho —
Um movimento sem lida...
Durmo, desperto e sozinho.

Nada explica nem consola.
Tudo está certo depois.
Mas a dor que nos desola,
A mágoa de um não ser dois
Nada explica nem consola.



terça-feira, 7 de abril de 2020

Dia mundial da saúde: 10 maneiras para manter a saúde mental na quarentena


Dia mundial da saúde: 10 maneiras para manter a saúde mental na quarentena

O Dia Mundial da Saúde é celebrado anualmente em 07 de abril. Essa data coincide com o dia da criação da Organização Mundial de Saúde (OMS), no ano de 1948. O objetivo dessa celebração é despertar uma consciência mundial sobre a importância de diversos aspectos da saúde.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o líder mundial de pessoas que sofrem de ansiedade. Tendo em conta os dados fornecidos existem 18,6 milhões de brasileiros, ou seja, cerca de 10% da população convivendo com o transtorno. 

O período de quarentena por pandemia de coronavírus agravou ainda mais o cenário. A incerteza do momento e as preocupações a ele relacionadas tendem a que se verifique um aumento dos níveis de estresse e ansiedade na população. Desta forma, e sendo estados mais ou menos permanentes estes podem fragilizar o sistema imunológico e debilitar o equilíbrio mental.

Se a situação da quarentena já era algo novo para nós, imagina uma quarentena da qual não vemos o seu termino? O filósofo e psicanalista Fabiano de Abreu preocupado com o excesso de pessoas que o procuram e também avaliando o comportamento das pessoas neste atual momento, dedicou-se a criar 10 maneiras para que possa se manter bem mentalmente em plena quarentena. 

“Amigos, clientes, pessoas no mercado e farmácias, muitos estão numa etapa diferente na quarentena. Hoje um dos meus amigos dono de um bar chegou a perder o controle ao falar do estado atual em que nos encontramos.”  

Após este episódio do seu amigo e de outras pessoas que Fabiano vem observando, o filósofo disse que, imediatamente buscou o que ele chama de equilíbrio para encontrar maneiras e ajudar as pessoas que estão em quarentena.

“Precisamos buscar o equilíbrio, chamarei de equilíbrio o ponto essencial para sabermos lidar com esta quarentena. Exatamente por isso decidi elaborar esta listagem.

1 - Pense positivo - Esta é a primeira das dicas pois é primordial para as outras 9 funcionem. Tudo tem um lado positivo até nas coisas ruins que acontecem. Ser positivo é essencial para que possamos ter a mente tranquila para buscar planos e planejamentos futuros. 

O caminho para uma mente positiva é ter a propriedade intelectual de buscar pensamentos que o agrade. Seja numa ação presente ou projetar ações futuras. 

2 - Mantenha a sua rotina - Que tal manter a mesma rotina de horários de trabalho e buscar mecanismos para atendimento online ou organizar o seu site e rede social? É um momento também para pesquisar sobre a sua profissão e procurar outras formas para conseguir a remuneração desejada a partir de sua casa. Pode ainda organizar o seu trabalho para quando isso tudo acabar.

Busque estratégias, conhecimentos, quem sabe aquele planejamento que não colocou adiante por falta de tempo não possa ser melhor observado agora?

2 - Interatividade - Vá além da mídia social, a claridade da tela em seu rosto e o excesso de informações pode ativar a ansiedade e atrapalhar o seu equilíbrio na quarentena.

Tente variar as atividades para a interatividade. Busque brincadeiras com a família ou com o parceiro(a). Tem quem goste de videogame ou uma boa série ou filme.  

Ver documentários e ler livros contribuem para aumentar o seu conhecimento. Aprender satisfaz, ativa a dopamina, hormônio da recompensa, quando absorvemos algo de novo.

3 - Notícias e mídia social - Temos que nos manter informados, claro, mas isso não quer dizer ficar o dia inteiro lendo notícias e navegando na mídia social. Escolha os sites de notícias que sejam realmente sérios e credíveis para ficar a par dos acontecimentos. É sempre bom ler na parte da manhã pois, ler a noite pode ativar a ansiedade e preocupação atrapalhando o sono. À noite estamos mais relaxados e com a mente mais desocupada, focar na rede social e nas notícias é iniciar um longo período olhando informações que poderão trazer tristeza, ativar a ansiedade e provocar a perda ou sono tardio. 

4 - Exercícios físicos - Mesmo se não tinha o costume de fazê-los, que tal tentar começar? Exercícios físicos não são apenas bons para uma boa forma e melhor saúde física mas também para uma melhor saúde mental. Os exercícios liberam o hormônio da endorfina que dá a sensação de bem-estar, alegria, conforto e bom humor.

5 - Crie metas - Não posso deixar de falar nesses hormônios da felicidade e do bem estar. Quando estão em baixa, podem levar a tristeza e posteriormente à depressão ou outras doenças que prejudicam a saúde mental. Criar metas e conquistá-las ativa o hormônio da dopamina. Quando produzida de forma equilibrada, ela também está associada ao amor, bem-estar, felicidade e ao prazer.

Crie metas a curto prazo e também a longo prazo. Seja um jardim a capinar, uma mesa a consertar, um trabalho para concluir, um livro para ler, uma série para assistir, um texto ou planos futuros. Tudo e qualquer coisa, por menor que pareça ser mas que crie como meta, estará não só ativando a dopamina mas também ocupando o seu tempo. 

6 - hábitos alimentares saudáveis - Uma boa alimentação ajuda não só a ativar os hormônios da felicidade mas também vai manter a sua imunidade alta para se proteger de doenças. É sabido que o Covid-19 mata mais pessoas com imunidade baixa e a alimentação é crucial neste momento. 

Que tal brincar de ser cozinheiro e distrair-se fazendo uns belos e deliciosos pratos na cozinha. Pode ser a hora também de ensinar os filhos a cozinhar. 

7 - Tarefas de casa - Que tal ocupar o seu tempo organizando a casa? Aquele armário que nunca tem tempo de arrumar ou a horta que sempre quis plantar. Que tal dividir tarefas em casa e deixa-la do jeito que sempre quis. Ambientes renovados, alma renovada. Depois que bagunçar com brincadeiras em família, arrume novamente. Se tiver com preguiça, não se esqueça que arrumar casa também é um exercício físico. 

8 - Organize a sua vida familiar - Aproveite este tempo para interagir mais com a família ou com o seu ou a sua parceira. Para quem tem filhos, seja mais amigo do filho, saiba mais sobre ele, aproveita e recupere todo o tempo perdido neste mundo atribulado que vivemos. Dedica-se mais à família, como eu disse no tópico 1, isso é pensar positivo em algo negativo. A quarentena é negativa mas torna-se positiva quando nos obriga a sermos melhores e mais presentes. 

9 - Curta seu animalzinho - Para quem tem bichinho em casa, este é o momento de se dedicar mais a ele. Recupere toda aquela carência que ele sentia com a sua ausência anterior. Animaizinhos de estimação são ótimos também para o equilíbrio emocional. Saiba que o seu bichinho de estimação faz liberar a ocitocina, o hormônio do amor, o mesmo que liberou ao conhecer o seu parceiro(a). 

10 - Alinhe-se com a natureza - Nós viemos da natureza. Por milhares de anos interagimos com ela e a usamos para nos proteger e nos alimentarmos. Sempre estivemos vinculados a ela de corpo e alma, portanto, vale a pena voltarmos a conversar com ela e buscar um pouco desta energia que está em nosso instinto. Faça um teste, observe uma árvore, folha, flor e pense o quanto ela é importante e familiar e sentirá uma boa energia como recompensa. 

Cultive bons sentimentos, dê boas ideias em casa, crie harmonia, e tente praticar cada um dos tópicos que aconselho.

Essencialmente temos que focar no melhor de cada um, no melhor de cada coisa, no melhor de cada situação. Se de cada tarefa ou etapa retirarmos um pequeno percentual de felicidade teremos o que nos fazer sorrir ao final do dia 

Fabiano de Abreu é membro da Mensa, associação de pessoas mais inteligentes do mundo com sede na Inglaterra conseguindo alcançar o maior QI registrado com 99 de percentil o que equivale em numeral a um QI acima de 180. Especialista em estudos da mente humana, é membro e sócio da CPAH – Centro de Pesquisas e Análises Heráclito, com sede em Portugal e unidades no Brasil e na Holanda.


sexta-feira, 3 de abril de 2020

Primavera Editorial lança obras da poetisa Florbela Espanca

Com arrebatamento e linguagem telúrica, a poetisa portuguesa Florbela Espanca construiu uma obra com forte teor confessional: densa, amarga e triste. A expressão poética – via contos, poemas, cartas e sonetos – é marcada por sentimentos como amor, saudade, sofrimento, solidão e morte, mas sempre em busca da felicidade. Com o intuito de disseminar a história e obra de uma escritora excepcional, a Primavera Editorial decidiu lançar a coleção Bela Flor, uma homenagem à poetisa. 

O lançamento do primeiro volume estava previsto para março, e a editora lançaria bimestralmente um e-book com a obra da autora, iniciando com Poemas Selecionados. Talvez a complicada situação pela qual o mundo inteiro está passando seja a razão pela qual ainda não encontrei o e-book no site da editora, mas aguardo ansiosa!


Florbela Espanca é uma poetisa que já tem poema no próprio nome. Embora ofuscada muitas vezes pela figura de poetas como Fernando Pessoa, foi um dos grandes nomes da poesia portuguesa. Segundo Larissa Caldin, publisher da Primavera Editorial e autora do prefácio, um dos primeiros poemas de Florbela foi escrito aos sete anos, e ela o intitulou de A vida e a morte. “Florbela sempre teve uma necessidade de colocar para fora os seus sentimentos, o que torna a obra dela tão pessoal e biográfica. Com essa história de vida, ela nunca precisou levantar bandeiras, porque a própria existência em si já era a personificação da emancipação feminina na época. É impossível passar incólume à obra dela, que cozinha amor, erotismo e devoção – devoção esta muitas vezes submetidas ao amor por um homem, sim, mas sempre consciente em ser uma escolha, não uma imposição”, diz Larissa.

SOBRE FLORBELA ESPANCA 

Nascida em 8 de dezembro de 1894, na região do Alentejo, Florbela Espanca – cujo nome de batismo era Flor Bela Lobo – é fruto de uma relação extraconjugal entre João Espanca e Antônia da Conceição Lobo, que a registrou como “filha de um pai incógnito”.  Com a morte prematura da mãe, passou a ser criada pelo pai e a esposa, Mariana do Carmo Toscano. O reconhecimento como filha legítima só veio após a morte da madrasta. Com 18 anos, Florbela iniciou o ensino secundário, sendo uma das primeiras mulheres a estudar, o que configurava um escândalo para a sociedade da época. Após se casar, a poeta decide voltar a estudar e ingressa a Faculdade de Direito de Lisboa – era uma das 14 mulheres entre 347 estudantes homens. Não foram apenas os estudos que tornaram Florbela uma mulher à frente do seu tempo. Em 1921, ela se apaixonou por António Guimarães e decide, então, pedir o divórcio a Alberto, primeiro marido (ela se divorciaria, depois, de Antônio também). Embora o ato tenha sido completamente condenado pela sociedade, Florbela não se importou; não queria seguir os mesmos passos da mãe, pois estava mais interessada em buscar a própria felicidade. Morreu aos 36 anos, de uma overdose de barbitúricos, deixando uma obra da mais alta qualidade literária.

SOBRE A EDITORA 

A Primavera Editorial é uma editora que busca apresentar obras inteligentes, instigantes e acalentadoras para a mulher que busca emancipação social e poder sobre suas escolhas. www.primaveraeditorial.com



quinta-feira, 2 de abril de 2020

Primavera Editorial disponibiliza, gratuitamente, o livro Uma centena de flores

A leitura de livros tem sido apontada por especialistas em saúde mental como um importante instrumento para lidar com o desafio do isolamento social. Ficar em casa na companhia de um bom livro é essencial para preservar a saúde, colaborar para conter a disseminação da pandemia do Covid-19 e para enriquecer a vida interior, de acordo com a proposta da Primavera Editorial


Para colaborar com essa atitude empática e que promove o autoconhecimento, a editora tem disponibilizado eBooks gratuitamente; a ideia é que sejam dois títulos por mês. Na primeira quinzena de abril, a obra escolhida é Uma centena de Flores, da romancista Gail Tsukiyama. O livro está disponível nas plataformas Amazon, Google e Apple.


Segundo Lu Magalhães (foto), presidente da Primavera Editorial, a proposta é colaborar de alguma forma para que o isolamento social seja um momento de expandir o conhecimento e aumentar o repertório por meio da leitura qualificada. “Sabemos que há muitos brasileiros que estão trabalhando em home office, mas achamos importante que cada um de nós dedique um momento para uma leitura capaz de abrir uma janela para o mundo além da pandemia. Nosso intuito é tornar acessível, com download gratuito, uma obra que mostra a trajetória de uma personagem feminina muito forte, Kai Ying – que luta para manter a família unida frente à ausência do marido, detido pela política de Mao Tsé-Tung. Filha de uma chinesa, a escritora Gail Tsukiyama construiu uma história cativante que proporciona ao leitor um aprendizado importante sobre um contexto político e social de uma das maiores potências mundiais da atualidade”, afirma a executiva.

SOBRE UMA CENTENA DE FLORES 

Na China de 1957, Mao Tsé-Tung declarou uma nova política na sociedade: “Deixem que uma centena de flores desabroche; deixem que uma centena de escolas de pensamento discorde”. Muitos intelectuais acreditaram, por medo, que a abertura fosse apenas um truque do governo. O marido de Ying Kai, Sheng, prometera não se comprometer para não colocar em perigo a própria segurança e do jovem filho, Tao. Entretanto, em uma manhã de julho, pouco antes do sexto aniversário, Tao se surpreende com a ausência do pai. Sheng é arrastado para longe, sendo acusado de escrever uma carta criticando o Partido Comunista; foi enviado para um campo de trabalho de “reeducação”. Kai Ying demonstra, em cada página, a luta diária para manter a pequena família junta face a esse lembrete chocante da ausência do marido. Os membros enfrentam as próprias culpas e segredos; esforçam-se para encontrar paz em um mundo em que o sentido de vida se perde. Outros personagens aparecem alinhando as histórias com a da família. Pessoas comuns enfrentando diariamente circunstâncias extraordinárias com graça e coragem.

SOBRE A EDITORA 

A Primavera Editorial é uma editora que busca apresentar obras inteligentes, instigantes e acalentadoras para a mulher que busca emancipação social e poder sobre suas escolhas. www.primaveraeditorial.com



segunda-feira, 16 de março de 2020

Para Refletir: Nasrudin e a Peste

Bom dia, caros leitores! Em uma fase tão complicada para o mundo inteiro com pessoas de todos os lugares sofrendo com a infecção do Coronavírus (ou com a ameaça dele), esse texto tem muito a nos dizer! Claro que não estou querendo com isso minimizar a importância de estar alerta e das precauções necessárias, é apenas uma boa reflexão!


NASRUDIN E A PESTE

A Peste ia a caminho de Bagdá quando encontrou Nasrudin, que lhe perguntou:
-Aonde vais?

A Peste respondeu:
-Bagdá, matar dez mil pessoas.

Depois de um tempo, a Peste voltou a se encontrar com Nasrudin.
Muito zangado, o mullah disse-lhe:
-Mentiste-me! Disseste que matarias dez mil pessoas e mataste cem mil.

E a Peste respondeu:
-Eu não menti, matei dez mil!
o resto morreu de medo.

* Conto da tradição sufi.



sábado, 29 de fevereiro de 2020

Poema: Concreto de Aline Elias

Olá, queridos leitores! Lá se vai mais um mês, como o tempo passa, não? Ainda mais quando se trata de fevereiro, mês mais curto do ano, aí é que os dias passam praticamente voando! Esse ano ainda temos pelo menos um dia a mais, vamos aproveitar cada minuto dele! Compartilho com vocês um antigo poema meu que gosto muito!


Concreto 

O concreto não atrai 
A busca da abstração 
Não para a  realidade 
Agarrar raízes 
Temer a loucura 
De tanto sonhar 

Aline Elias



quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

Dica literária: O país do Carnaval de Jorge Amado

Está chegando o Carnaval! Entre as maiores festas populares do mundo, você sabia que o carnaval carioca inclusive entrou para o livro dos recordes em 2004 como a maior delas ao contar com 4 milhões de pessoas assistindo aos desfiles naquele ano? E já que o tema é Carnaval, fica aqui uma recomendação de um livro, O País do Carnaval de Jorge Amado! As informações foram retiradas do site http://www.jorgeamado.com.br/ !


O PAÍS DO CARNAVAL

O País do Carnaval é o primeiro romance de Jorge Amado, escrito quando ele tinha apenas dezoito anos. O livro foi publicado pela editora Schmidt em 1931, mesmo ano em que o autor ingressou na faculdade de direito no Rio de Janeiro. Antes de O país do Carnaval, Jorge Amado publicara os poemas de A luva e a novela Lenita, mas por opção do próprio escritor esses trabalhos não foram incluídos na relação de suas obras completas.

A primeira edição teve tiragem de mil exemplares e prefácio do editor e poeta Augusto Frederico Schmidt. O romance foi recebido com entusiasmo por Rachel de Queiroz, que havia publicado O quinze no ano anterior. Os dois escritores se conheceram no Rio de Janeiro, e foi ela quem lhe apresentou a Juventude Comunista. Em 1932, Jorge Amado se tornou militante.

Ainda em Salvador, o escritor já havia frequentado, entre 1927 e 1931, a Academia dos Rebeldes, grupo literário formado em torno do jornalista e poeta Pinheiro Viegas. Em entrevista ao jornalista Joel Silveira, Jorge Amado destacou a influência de Viegas e seu grupo na escrita de O país do Carnaval. Alguns críticos apontam ainda o intelectual paulista Paulo Prado, autor de Retrato do Brasil, como modelo para o protagonista Paulo Rigger.

Considerado subversivo, O País do Carnaval estava entre os livros de Jorge Amado que foram queimados em praça pública em Salvador, por determinação da polícia do Estado Novo, em 1937. O livro foi publicado em Portugal e traduzido para mais três idiomas.


Título original: O País do Carnaval
Autor: Jorge Amado
Editora: Companhia das Letras
Número de páginas: 171
Ano de lançamento: 1931
Idioma: Português