Na noite de hoje, deixei que a fantasia me conduzisse.
As corujas e os pirilampos dançavam no fundo da minha memória, como no velho refrão que sempre me encantou. Há algo nessa mistura de encantos — sacis, fadas, luas azuis — que me faz lembrar que também carregamos um pouco de magia no peito.
Olhei para essa ilustração das pequenas bruxinhas feitas para meu livro "O Coelho Wishy e a Bruxa Catadeira", tão cheias de cor, travessura e inocência, e senti que elas representam algo que às vezes esquecemos: a alegria de brincar com nossos próprios mistérios. A leveza de existir sem explicações. A festa que pulsa mesmo quando a realidade insiste em ser sisuda.
Na infância, a gente acredita nas coisas invisíveis. Na vida adulta, continuamos carregando essas sombras luminosas — só que aprendemos a chamá-las de imaginação, intuição, poesia. Mas, no fundo, são as mesmas fagulhas que iluminam nossas noites internas.
Escrevo este pequeno texto para lembrar disso:
que a magia não desapareceu.
Que as danças que nos habitam continuam ali.
Que ainda podemos celebrar o que é lúdico, ancestral, selvagem e doce — mesmo que seja apenas por um instante.
Hoje, deixei que minha própria lua interna iluminasse a dança, a roda, a festa.
Aline Elias
