TUDO UM DIA VIRA PÓ
Ai que chatice
Desigualdade e orgulho
Ninguém consegue abaixar
Sentir-se humilhado
A dor alheia representada
Não para a informação
Que segue sem formação
Doutores e políticos
Sabichões que se acham
O meu melhor que o seu
Como nos esquecemos
Que tudo um dia vira pó
FORA DO CATÁLOGO
Aí que delícia abstrair
Não pensar na melhor pessoa
No mais inteligente
Naquilo que um faz
E outro não faz
Nossas cabeças foram feitas
Uma por vez e diferentes
Coisas são catalogadas
Elas têm utilidade
Pessoas não precisam
Entrar em gavetas
Podem ser inúteis
Sem perder a humanidade
O FORTE E O FRACO
Quantos vingadores
Como se não bastasse
As doenças e as guerras
Ainda existem as lutas
Individuais e pequenas
Pagar o que fez
O forte e o fraco
Dentro de classificações
Alguém tem que pagar
Pela dor que é sua
Se não for pelo sentimento
Pode ser pelo dinheiro
Será que para alguém crescer
Outro precisa diminuir?
A VOZ
As vezes precisamos
Silenciar para resgatar
A voz que se exauriu
E fechar os olhos
Uma pausa breve
Tempo de semibreve
Guardando a energia
Para tocar um alegro
SAIR DE SI
Um jeito de sair de si
E olhar a existência alheia
Observar as pessoas
Andar pelas ruas.
Aline Elias



