segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Transição 2018 - 2019

Pois é, caros leitores, o último dia do ano chegou, época de renovação, e já que o assunto é esse, recebi esse texto sobre a transição da Era de Peixes para a Era de Aquário! Infelizmente não consegui identificar a fonte, mas achei muito interessante e quis compartilhar com vocês!


TRANSIÇÃO 2018 - 2019

Estamos fazendo a transição  da Era de Peixes, regida por Saturno, totalmente emocional, que amorosamente transbordou e trouxe à tona tudo o que não mais se faz necessário em nossas vidas, colocou às claras o que estava obscuro, nos mostrando as consequências das nossas reações, para a Era de Aquário, regida por Marte, que amorosamente os traz Consciência, Movimento, Atitude e Racionalidade.

A transição que ocorrerá do dia 31/12/2018 para o dia 01/01/2019 contará com a energia dominante da Lua Minguante, que terá a força para banir tudo o que não nos pertence mais, o que nos limita, o que nos paralisa, os impedimentos, as interferências, as carências, as ilusões, as dificuldades, as dores, as doenças, o desrespeito, o desamor, as mágoas, as tristezas, a falta de confiança em si mesmo(a), a inveja, o julgamento e tudo o mais.

Por isso, querida alma, atente para o seu despertar e não se esqueça de agradecer por tudo que aconteceu, para poder desapegar-se do antigo, do corrompido, do distorcido e deixar ir com facilidade e leveza, para que o Novo, naturalmente, se manifeste em toda sua magnitude e beleza! 

Faça uma lista do que deseja banir e permita-se ressurgir!



sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Anunciação

O Natal está chegando, e hoje compartilho com vocês um texto meu, que fez parte do livro "Palavras Presentes", junto com este belíssimo texto bíblico encontrado no livro de Lucas:

No sexto mês, foi o anjo Gabriel enviado, da parte de Deus, para uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um homem da casa de Davi, cujo nome era José; a virgem chamava-se Maria.
E, entrando o anjo aonde ela estava, disse: Alegra-te, muito favorecida! O Senhor é contigo. Ela, porém, ao ouvir esta palavra, per-turbou-se muito e pôs-se a pensar no que significaria esta saudação.
Mas o anjo lhe disse: Maria, não temas; porque achaste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem chamarás pelo nome de Jesus. 
Esse será grande e será chamado filho do Altíssimo; Deus, o Se-nhor, lhe dará o trono de Davi, seu pai; ele reinará para sempre na casa de Jacó, e o seu reinado não terá fim. 

Lucas 1. 26-35



Anunciação (Por Aline Elias)

Ao amanhecer ouvimos os passos da mulher que sobe batendo o salto alto na escada ao lado do jardim anunciando a chegada do Natal. Deitados esperamos o barulho silenciar e corremos para a cozinha. As mulheres conversam e separam bacias, panelas e assadeiras. Preparamos a massa da esfiha : um quilo de farinha colocado na bacia de alumínio, espaço aberto no meio com a mão, dissolvemos dois tabletes de fermento biológico em uma xícara de leite morno e derramamos na massa, uma xícara de óleo, uma colher de café de açúcar, uma colher de sal. Amassar, misturar, amassar e misturar todos os ingredientes até deixarmos a massa elástica que é colocada para crescer. Depois de pelo menos uma hora cortamos a massa em pequenos pedaços  e enrolamos bolinhas. Depois abrimos as bolinhas de massa com uma garrafa pequena de refrigerante até formarmos pequenos círculos. Enchemos rapidamente os círculos de massa com carne moída crua misturada com pequenos pedaços de tomate, temperada com sal, salsinha, cebola ralada e limão. Fechamos os círculos como envelopes e colocamos as esfihas fechadas na assadeira para assar no forno bem quente. Os círculos de massa não podem ficar abertos por muito tempo senão ficam ressecados. As assadeiras de esfihas quentinhas vão saindo do forno. Hoje acordamos cedo mas a neblina era densa e enxergamos a sombra da mulher. E caminhávamos pela sala com o relógio antigo batendo as horas de Cronos e Kairos batendo outro tempo , o das palavras presentes.

Extraído do conto Salto Alto de Natal 
Palavras Presentes - Coletânea de contos de Natal
Editora Oficio das Palavras - Aline Elias 2010  

sábado, 8 de dezembro de 2018

O Natal de Mickey Mouse: Vamos Cantar?

O Natal está chegando e nas redes eu tenho falado sobre alguns livros natalinos que eu gosto muito! Entre eles está "Um Conto de Natal" de Charles Dickens! A inesquecível história do mais avarento dos homens que tem seu coração transformado pelos espíritos natalinos do passado, presente e futuro! Na versão "Disney" animada do conto (ele já ganhou dezenas de versões para os cinemas, teatro e até quadrinhos!), o avarento é interpretado por ninguém menos que o Tio Patinhas, enquanto o simpático Bob Cratchit é o camundongo mais amado do planeta, Mickey Mouse. Há uma música linda de introdução que eu quero hoje compartilhar com vocês! Nostalgia pura!


COMO É BONITO O NATAL
O Natal do Mickey Mouse


Como é bonito o Natal
A alegria é geral
Nos meninos e nos sinos
Como é bonito o Natal

Em todo lar animação
Da família em reunião
Festejando e se amando
Como é bonito o Natal

Cai a neve nas vielas
E a geada nas janelas
Pinheirinhos enfeitados
E os presentes arrumados

É o inverno com rigor
Mas nas casas há o calor
Das lareiras e o fulgor
Que das chamas faz brotar
Mais amor, mais amor

Para as crianças é magia
A beleza deste dia
E é tão bom dizer e ouvir
Muito Boas Festas!
Próspero Ano Novo!
Como é bonito o Natal

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Poema: Concreto


Concreto 

O concreto não atrai 
A busca da abstração 
Não para a realidade 
Agarrar raízes 
Temer a loucura 
De tanto sonhar 

Aline Elias

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Poema: Cabeças


Cabeças 

A  cabeça segura o chapéu
A criança roda a cabeça 
A cabeça sorriso do rapaz 
O menino chacoalha a cabeça 
O avião passa na minha cabeça 
A mão da moça segura a cabeça 
A cabeça loira observa o buraco 
A morena tem perna grossa e cabeça fina 
O homem vira a cabeça gorda para trás 
O amigo tem um buraco na cabeça 
As cabeças rede das meninas iguais 
O nariz fica no meio da cabeça 
E o umbigo também 
E um peito para cada lado 

Aline Elias

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Dia Nacional da Consciência Negra: O poder de ser do jeito que a gente é

Devemos ter essa consciência abordada na data de hoje todos os dias, mas já que hoje é o dia em que oficialmente falamos sobre isso, quero indicar esse livro infantil da Editora do Brasil, "Que cabelo é esse, Bela", que ensina uma importante lição para as crianças!

Toda vez que chovia, a garotada fazia a festa no quintal da vila onde Bela morava. Ela e os amigos adoravam brincar com a água que caia do céu. Principalmente por um detalhe mágico: com a água da chuva, o cabelo dela começava a brilhar! “Toda vez que um amigo a alcançava, ela passava as mãos nos cabelos e dividia seu brilho. E rapidamente voltava a brilhar e a correr dos amigos. Quando nenhum deles conseguia pegá-la, Bela balançava a cabeça respingando brilho em todos”, diz um trecho de Que cabelo é esse, Bela?, escrito por Simone Mota, com ilustrações de Roberta Nunes, um lançamento da Editora do Brasil.


Mas nem todos se encantavam com o poder de brilho do cabelo da garota. Alguns faziam bullying com a menina, implicavam com aquela cabeleira e gritavam “Corta essa juba!”, “Alisa!”. E Bela começou a se incomodar, ficou triste e preferiu não ter mais tanto brilho. Por que não podia ser quem era?  Seria melhor não ter mais aquele poder nos cabelos?

Sua mãe lhe explica então a origem daquele brilho, que remontava à tataravó de Bela, uma mulher escravizada. E agora ela tem a escolha de renunciar ou não a esse poder. O que fazer?

Com essa narrativa singela, a escritora Simone Mota aborda um tema superatual: a importância de quebrar preconceitos e padrões de beleza impostos. E mais, a importância de descobrir e valorizar o poder da ancestralidade e afirmar-se enquanto indivíduo consciente.

Indicado para crianças a partir dos 9 anos, o livro faz parte da coleção Mil e uma histórias, que reúne autores renomados, ilustrações encantadoras e narrativas cativantes. As obras dessa série refletem a cultura popular e a infância, mostrando a realidade de um jeito diferente levando o pequeno leitor a pensar sobre suas atitudes e o mundo que o cerca.

Sobre a autora

Formada em Estatística pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Simone Mota também cursou dois mestrados, que não chegou a concluir: Engenharia de Petróleo, na Universidade Estadual do Norte Fluminense, e Letras, na Universidade Estácio de Sá. Mas se encontrou mesmo foi escrevendo livros para criança. Estreou nesse ofício em 2011 e já tem nove obras publicadas, seis deles em uma coleção e uma poesia na antologia do Prêmio UFF de Literatura, do qual foi finalista. Sobre seu novo livro ela diz: “ ‘Que cabelo é esse?’ é uma frase ecoante na minha vida. E na ignorância de seu sentido, acabei imaginando. O eco reverberou e virou essa história. É difícil saber quando isso aconteceu. As histórias são assim mesmo, existem e escolhem como e quando serão contadas. Eu fui escolhida para contar essa para vocês.” 


Ficha técnica

Obra: Que cabelo é esse, Bela?
Autora: Simone Mota
Formato: 21 x 28 cm 
Número de páginas: 32
ISBN: 978-85-10-06808-6
Preço: R$ 43,10


quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Série baseada no best-seller 'A Amiga Genial' de Elena Ferrante, estreia em novembro no canal HBO

Olhem que notícia maravilhosa para quem, como eu, ama as obras de Elena Ferrante! MY BRILLIANT FRIEND, série dramática de oito episódios baseada no best-seller de Elena Ferrante (o livro ganhou o título "A Amiga Genial" aqui no Brasil), estreia em 25 de novembro, às 22h no canal HBO. Nos três domingos seguintes a HBO exibirá dois episódios consecutivos e no dia 16 de dezembro vai ao ar o final da trama.

Imagem: Divulgação

A série conta a trajetória de duas amigas, Elena Greco (Lenu) e Raffaella Cerullo (Lila), que vivem na cidade de Nápoles e se conhecem desde a infância. Quando Lila desaparece sem deixar rastros, Lenu começa a escrever uma história inspirada em sua melhor amiga. Ela narra como a amizade começou, na década de 1950, em um ambiente perigoso, mas fascinante. O relato abrange os 60 anos de amizade da dupla e tenta descobrir o mistério de Lila, a brilhante amiga de Elena e também a sua pior inimiga.

Com direção de Saverio Costanzo, MY BRILLIANT FRIEND foi filmada na Itália, desenvolvida com atores locais e tem uma cinematografia feita especialmente para retratar a cidade de Nápoles do pós-guerra. A série é uma produção da HBO-RAI Fiction, TIMVISION e Wildside-Fandango, em coprodução com a Umedia.  A história e o roteiro são de Elena Ferrante, Francesco Piccolo, Laura Paolucci e Saverio Costanzo. Paolo Sorrentino e Jennifer Schuur são os produtores executivos.



sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Aline Elias e o Dia de Los Muertos

Olá amigos leitores! Estou aqui no México e tive a oportunidade de participar das festividades do "Dia dos Mortos", ou melhor, "Dia de Los Muertos"! Bem diferente do Dia de Finados com o qual estamos acostumados no Brasil, quem já assistiu as animações "Festa no Céu" ou "Viva - A Vida é uma Festa" tem uma ideia de como é essa celebração para os mexicanos. Quero compartilhar com vocês alguns dos registros que fiz aqui!

Aqui estou eu com meu novo amigo! xD

Vestidos para o Dia de Los Muertos
Comparsas: Grupo de pessoas que desfilam pelas ruas fantasiadas de mortos.

A mensagem da Guadalupe: Faça oferendas dançando  e cantando. E preces na sua fé para os que se foram. E viva que é o mais importante.

Aline Elias

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

FLORBELA ESPANCA: SER POETA

O que dizer sobre esse poema maravilhoso de Florbela Espanca, incrível poetisa portuguesa que sempre esteve muito à frente do seu tempo, sobre ser poeta? Se me faltam palavras, fiquem com as dela!


Ser Poeta


Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!
É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!
É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!
E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

Florbela Espanca

terça-feira, 23 de outubro de 2018

POEMA: CASULO


Casulo 

No casulo não sinto nada 
Nem raiva 
Nem desejo 
Nem sofrimento 

Aline Elias

terça-feira, 16 de outubro de 2018

Aos que vierem depois de nós - Bertolt Brecht


Aos que vierem depois de nós

I
Realmente, vivemos tempos sombrios!
A inocência é loucura. Uma fronte sem rugas
denota insensibilidade. Aquele que ri
ainda não recebeu a terrível notícia
que está para chegar.

Que tempos são estes, em que
é quase um delito
falar de coisas inocentes.
Pois implica silenciar tantos horrores!
Esse que cruza tranqüilamente a rua
não poderá jamais ser encontrado
pelos amigos que precisam de ajuda?

É certo: ganho o meu pão ainda,
Mas acreditai-me: é pura casualidade.
Nada do que faço justifica
que eu possa comer até fartar-me.
Por enquanto as coisas me correm bem
(se a sorte me abandonar estou perdido).
E dizem-me: “Bebe, come! Alegra-te, pois tens o quê!”

Mas como posso comer e beber,
se ao faminto arrebato o que como,
se o copo de água falta ao sedento?
E todavia continuo comendo e bebendo.

Também gostaria de ser um sábio.
Os livros antigos nos falam da sabedoria:
é quedar-se afastado das lutas do mundo
e, sem temores,
deixar correr o breve tempo. Mas
evitar a violência,
retribuir o mal com o bem,
não satisfazer os desejos, antes esquecê-los
é o que chamam sabedoria.
E eu não posso fazê-lo. Realmente,
vivemos tempos sombrios.

II
Para as cidades vim em tempos de desordem,
quando reinava a fome.
Misturei-me aos homens em tempos turbulentos
e indignei-me com eles.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.

Comi o meu pão em meio às batalhas.
Deitei-me para dormir entre os assassinos.
Do amor me ocupei descuidadamente
e não tive paciência com a Natureza.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.

No meu tempo as ruas conduziam aos atoleiros.
A palavra traiu-me ante o verdugo.
Era muito pouco o que eu podia. Mas os governantes
Se sentiam, sem mim, mais seguros, — espero.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.

As forças eram escassas. E a meta
achava-se muito distante.
Pude divisá-la claramente,
ainda quando parecia, para mim, inatingível.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.

III
Vós, que surgireis da maré
em que perecemos,
lembrai-vos também,
quando falardes das nossas fraquezas,
lembrai-vos dos tempos sombrios
de que pudestes escapar.

Íamos, com efeito,
mudando mais freqüentemente de país
do que de sapatos,
através das lutas de classes,
desesperados,
quando havia só injustiça e nenhuma indignação.

E, contudo, sabemos
que também o ódio contra a baixeza
endurece a voz. Ah, os que quisemos
preparar terreno para a bondade
não pudemos ser bons.
Vós, porém, quando chegar o momento
em que o homem seja bom para o homem,
lembrai-vos de nós
com indulgência.

Bertolt Brecht (Tradução Manuel Bandeira)

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

12 de outubro - Gonzaguinha e a pureza da resposta das crianças

Para o dia 12 de outubro, eu fico com a pureza da resposta das crianças, e vocês? 
Vamos de Gonzaguinha, então?


O QUE É? O QUE É? 
Gonzaguinha

Eu fico com a pureza
Da resposta das crianças
É a vida, é bonita, é bonita

Viver, e não ter a vergonha de ser feliz
Cantar, e cantar, e cantar
A beleza de ser um eterno aprendiz
Ai, meu Deus
Eu sei (Eu sei)
Que a vida devia ser bem melhor e será
Mas isso não impede que eu repita
É bonita, é bonita e é bonita

Viver, e não ter a vergonha de ser feliz
Cantar, e cantar, e cantar
A beleza de ser um eterno aprendiz
Ai, meu Deus
Eu sei (Eu sei)
Que a vida devia ser bem melhor e será
Mas isso não impede que eu repita
É bonita, é bonita e é bonita

E a vida? E a vida o que é, diga lá, meu irmão?
Ela é a batida de um coração 
Ela é uma doce ilusão
E a vida? Ela é maravilha ou é sofrimento
Ela é alegria ou lamento
O que é, o que é, meu irmão?

Há quem fale
Que a vida da gente é um nada no mundo 
É uma gota, é um tempo que nem dá um segundo
Há quem fale
Que é um divino mistério profundo
É o sopro do Criador 
Numa atitude repleta de amor

Você diz que é luta e prazer
Ele diz que a vida é viver 
Ela diz que melhor é morrer
Pois amada não é, e o verbo é sofrer
Eu só sei que confio na moça
E na moça eu ponho a força da fé
Somos nós que fazemos a vida 
Como der ou puder ou quiser

Sempre desejada 
Por mais que esteja errada
Ninguém quer a morte
Só saúde e sorte
E a pergunta roda 
E a cabeça agita
Eu fico com a pureza
Da resposta das crianças
É a vida, é bonita, é bonita 

Viver, e não ter a vergonha de ser feliz
Cantar, e cantar, e cantar
A beleza de ser um eterno aprendiz
Ai, meu Deus
Eu sei (Eu sei)
Que a vida devia ser bem melhor e será
Mas isso não impede que eu repita
É bonita, é bonita e é bonita

Viver, e não ter a vergonha de ser feliz
Cantar, e cantar, e cantar
A beleza de ser um eterno aprendiz
Ai, meu Deus
Eu sei (Eu sei)
Que a vida devia ser bem melhor e será
Mas isso não impede que eu repita
É bonita, é bonita e é bonita
Viver

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

EU QUERO por Euclides da Cunha


EU QUERO

Eu quero à doce luz dos vespertinos pálidos
Lançar-me, apaixonado, entre as sombras das matas
_ Berços feitos de flor e de carvalhos cálidos
Onde a Poesia dorme, aos cantos das cascatas...

Eu quero aí viver _ o meu viver funéreo,
Eu quero aí chorar _ os tristes prantos meus...
E envolto o coração nas sombras do mistério,
Sentir minh'alma erguer-se entre a floresta de Deus!

Eu quero, da ingazeira erguida aos galhos úmidos,
Ouvir os cantos virgens da agreste patativa... 
Da natureza eu quero, nos grandes seios túmidos,
Beber a Calma, o Bem, a Crença _ ardente a altiva.

Eu quero, eu quero ouvir o esbravejar das águas
Das asp'ras cachoeiras que irrompem do sertão...
E a minh'alma, cansada ao peso atroz das mágoas,
Silente adormecer no colo da so'idão... 

Euclides da Cunha (1883)

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Meu Pequeno Tico e a Oração de São Francisco de Assis

Dia 04 de outubro nós comemoramos o Dia de São Francisco de Assis, o padroeiro dos animais e da natureza! 


Nunca é tarde para compartilhar essa linda oração, e para acompanhar, compartilho com vocês imagens do meu pequeno Tico, já que estamos falando de seu santo protetor! A primeira é de alguns anos atrás, a segunda é como ele está hoje, já velhinho, mas o amor e a fidelidade permanecem iguais!


Oração de São Francisco de Assis

Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor;
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
Onde houver discórdia, que eu leve a união;
Onde houver dúvida, que eu leve a fé;
Onde houver erro, que eu leve a verdade;
Onde houver desespero, que eu leve a esperança;
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
Onde houver trevas, que eu leve a luz.

Ó Mestre, Fazei que eu procure mais
Consolar, que ser consolado;
compreender, que ser compreendido;
amar, que ser amado.
Pois é dando que se recebe,
é perdoando que se é perdoado,
e é morrendo que se vive para a vida eterna.

São Francisco de Assis


segunda-feira, 1 de outubro de 2018

A Carta do Velho de 100 Anos - Por Anderson Diego Gama Reis

MONÓLOGO: A CARTA DO VELHO DE 100 ANOS
Por Anderson Diego Gama Reis


Quase não seguro direito esta caneta, minha visão quase não enxerga além da nuvem de fumaça que se cria ao meu redor.
Pois bem, escrevo esta carta para todos aqueles que não sabem o que é aproveitar o máximo que a vida nos tem a ensinar.
Eu tenho 100 anos e sou de um tempo em que as pessoas conversavam uma com as outras e os jovens tinham respeito com os idosos e com seus familiares, e que toda vez que visitava meus tios, eu lhes pedia a benção, enfim, sou de um tempo de paz...

Lembro-me ainda pequeno, uns 10 ou 12 anos, quando mamãe e papai esperavam ansiosos pelo carteiro, sim, naquele tempo os carteiros entregavam verdadeiramente as cartas e não são como hoje que só entregam cobranças, faturas ou encomendas.
Era um tempo bom e essa profissão era uma das mais almejadas pela juventude, pois, era através dos carteiros que levavam notícias boas, riquezas, ou, traziam notícias infortunas, enfim, era um tempo bom.

Hoje conversando com minha neta, ela me disse que estava no MSN e ao mesmo tempo fazendo seu trabalho de escola no estilo copiou e colou. Nossa, como essa juventude esta se perdendo, não estão estudando mais, há que saudade daquela velha e boa biblioteca que ficava ao fim da rua no meu bairro, era costume, toda vez que saíamos da sala de aula, irmos até esta grande universidade de conhecimentos para buscar informações. Éramos obrigados a ler, era bom. Hoje olho para minha neta e não encontro o gosto por estudo, não percebo o gosto pela informação, aliás, falando em notícias, como era bom os vizinhos conversando, todo mundo se conhecia, ai... (emociono-me nas lembranças)

Enfim, olho hoje para o horizonte e não mais encontro o bonde passando na velha estação, que pena, hoje o ser humano tornou-se individualista, mercenário, ranzinza, prefere agarra-se a seus automóveis beberrões do que compartilharem uma bela conversa ao balanço do velho bonde.

Arg arg arg, já não tenho mais forças para continuar escrevendo, por isso, deixo essa carta a você que ainda acredita no ser humano, no ideal social e no bem comum, não cometa os erros que meus filhos e netos cometeram, seja dedicado aos estudos e leia, leia bastante pois, ler é a chave para todos os males de nossa sociedade. E que eu possa descansar em paz. Adeus.

De seu grande amigo,

Um velho de 100 anos...

Fonte: http://www.dominiopublico.gov.br

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Vamos falar de Fernando Pessoa

Hoje eu postei nas redes sociais uma poesia de Fernando Pessoa, "Eu Amo Tudo o que Foi", e acho que é uma boa oportunidade de falar um pouco sobre o quanto admiro esse escritor. 

Eu e a estátua do poeta, em Lisboa
Alberto Caieiro, Álvaro de Campos, Ricardo Reis e Bernardo Soares são heterônimos de Fernando António Nogueira Pessoa, nascido em 13 de junho de 1888 e que se tornaria o mais ilimitado poeta português de todos os tempos.

Também em Lisboa, este é o bar que o autor frequentava.
No momento estou lendo o "Livro do Desassossego", uma das maiores do autor, que nela assina como Bernardo Soares. É seu livro que mais se aproxima do gênero "romance". "Dono do mundo em mim, como de terras que não posso trazer comigo", escreve o narrador. 

Introdução do "Livro do Desassossego"
Para finalizar, compartilho com vocês a poesia que citei no início da postagem.

Eu amo tudo o que foi

EU AMO TUDO o que foi,
Tudo o que já não é,
A dor que já me não dói,
A antiga e errônea fé,
O ontem que dor deixou,
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia. 

Fernando Pessoa

Tenham um ótimo e poético final de semana, com muitas leituras!

Aline Elias



quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Três Dias Para Ver por Helen Keller

Hoje, 26 de setembro, foi instituído o Dia Nacional do Surdo, data em que foi inaugurado o INES (Instituto Nacional de Educação de Surdo) em 1857, no Rio de Janeiro! Compartilho com vocês esse belíssimo texto escrito por Helen Keller, a famosa escritora que foi a primeira pessoa surdocega do mundo a conquistar um bacharelado.



Três Dias Para Ver por Helen Keller

Várias vezes pensei que seria uma benção se todo ser humano, de repente, ficasse cego e surdo por alguns dias no princípio da vida adulta. As trevas o fariam apreciar mais a visão e o silêncio lhe ensinaria as alegrias do som.

De vez em quando texto meus amigos que enxergam para descobrir o que eles vêem. Há pouco tempo perguntei a uma amiga que voltava de um longo passeio pelo bosque o que ela observara. “Nada de especial”, foi à resposta.

Como é possível, pensei, caminhar durante uma hora pelos bosques e não ver nada digno de nota? Eu, que não posso ver, apenas pelo tacto encontro centenas de objetos que me interessam. Sinto a delicada simetria de uma folha. Passo as mãos pela casca lisa de uma bétula ou pelo tronco áspero de um pinheiro. Na primavera, toco os galhos das árvores na esperança de encontrar um botão, o primeiro sinal da natureza despertando após o sono do inverno. Por vezes, quando tenho muita sorte, pouso suavemente a mão numa arvorezinha e sinto o palpitar feliz de um pássaro cantando.

Às vezes meu coração anseia por ver tudo isso. Se consigo ter tanto prazer com um simples toque, quanta beleza poderia ser revelada pela visão! E imaginei o que mais gostaria de ver se pudesse enxergar, digamos por apenas três dias.

Eu dividiria esse período em três partes. No primeiro dia gostaria de ver as pessoas cuja bondade e companhias fizeram minha vida valer a pena. Não sei o que é olhar dentro do coração de um amigo pelas “janelas da alma”, os olhos. Só consigo “ver” as linhas de um rosto por meio das pontas dos dedos. Posso perceber o riso, a tristeza e muitas outras emoções. Conheço meus amigos pelo que toco em seus rostos.

Como deve ser mais fácil e muito mais satisfatório para você, que pode ver, perceber num instante as qualidades essenciais de outra pessoa ao observar as sutilezas de sua expressão, o tremor de um músculo, a agitação das mãos. Mas será que já lhe ocorreu usar a visão para perscrutar a natureza íntima de um amigo? Será que a maioria de vocês que enxergam não se limita a ver por alto as feições externas de uma fisionomia e se dar por satisfeita?

Por exemplo, você seria capaz de descrever com precisão o rosto de cinco bons amigos? Como experiência, perguntei a alguns maridos qual a exata cor dos olhos de suas mulheres e muitos deles confessaram, encabulados, que não sabiam.

Ah, tudo que eu veria se tivesse o dom da visão por apenas três dias!

O primeiro dia seria muito ocupado. Eu reuniria todos os meus amigos queridos e olharia seus rostos por muito tempo, imprimindo em minha mente as provas exteriores da beleza que existe dentro deles. Também fixaria os olhos no rosto de um bebê, para poder ter a visão da beleza ansiosa e inocente que precede a consciência individual dos conflitos que a vida apresenta. Gostaria de ver os livros que já foram lidos para mim e que me revelaram os meandros mais profundos da vida humana. E gostaria de olhar nos olhos fiéis e confiantes de meus cães, o pequeno scottie terrier e o vigoroso dinamarquês.

À tarde daria um longo passeio pela floresta, intoxicando meus olhos com belezas da natureza. E rezaria pela glória de um pôr-do-sol colorido. Creio que nessa noite não conseguiria dormir.

No dia seguinte eu me levantaria ao amanhecer para assistir ao empolgante milagre da noite se transformando em dia. Contemplaria assombrado o magnífico panorama de luz com que o Sol desperta a Terra adormecida.

Esse dia eu dedicaria a uma breve visão do mundo, passado e presente. Como gostaria de ver o desfile do progresso do homem, visitaria os museus. Ali meus olhos, veriam a história condensada da Terra -- os animais e as raças dos homens em seu ambiente natural; gigantescas carcaças de dinossauros e mastodontes que vagavam pelo planeta antes da chegada do homem, que, com sua baixa estatura e seu cérebro poderoso, dominaria o reino animal.

Minha parada seguinte seria o Museu de Artes. Conheço bem, pelas minhas mãos, os deuses e as deusas esculpidos da antiga terra do Nilo. Já senti pelo tacto as cópias dos frisos do Paternon e a beleza rítmica do ataque dos guerreiros atenienses. As feições nodosas e barbadas de Homero me são caras, pois também ele conheceu a cegueira.

Assim, nesse meu segundo dia, tentaria sondar a alma do homem por meio de sua arte. Veria então o que conheci pelo tacto. Mais maravilhoso ainda, todo o magnífico mundo da pintura me seria apresentado. Mas eu poderia ter apenas uma impressão superficial. Dizem os pintores que, para se apreciar a arte, real e profundamente, é preciso educar o olhar. É preciso, pela experiência, avaliar o mérito das linhas, da composição, da forma e da cor. Se eu tivesse a visão, ficaria muito feliz por me entregar a um estudo tão fascinante.

À noite de meu segundo dia seria passada no teatro ou no cinema. Como gostaria de ver a figura fascinante de Hamlet ou o tempestuoso Falstaff no colorido cenário elisabetano! Não posso desfrutar da beleza do movimento rítmico senão numa esfera restricta ao toque de minhas mãos. Só posso imaginar vagamente a graça de uma bailarina, como Pavlova, embora conheça algo do prazer do ritmo, pois muitas vezes sinto o compasso da música vibrando através do piso. Imagino que o movimento cadenciado seja um dos espetáculos mais agradáveis do mundo. Entendi algo sobre isso, deslizando os dedos pelas linhas de um mármore esculpido; se essa graça estática pode ser tão encantadora, deve ser mesmo muito mais forte a emoção de ver a graça em movimento.

Na manhã seguinte, ávida por conhecer novos deleites, novas revelações de beleza, mais uma vez receberia a aurora. Hoje, o terceiro dia, passarei no mundo do trabalho, nos ambientes dos homens que tratam do negócio da vida. A cidade é o meu destino.

Primeiro, paro numa esquina movimentada, apenas olhando para as pessoas, tentando, por sua aparência, entender algo sobre seu dia-a-dia. Vejo sorrisos e fico feliz. Vejo uma séria determinação e me orgulho. Vejo o sofrimento e me compadeço.

Caminhando pela 5ª Avenida, em Nova York, deixo meu olhar vagar, sem se fixar em nenhum objeto em especial, vendo apenas um caleidoscópio fervilhando de cores. Tenho certeza de que o colorido dos vestidos das mulheres movendo-se na multidão deve ser uma cena espetacular, da qual eu nunca me cansaria. Mas talvez, se pudesse enxergar, eu seria como a maioria das mulheres – interessadas demais na moda para dar atenção ao esplendor das cores em meio à massa.

Da 5ª Avenida dou um giro pela cidade – vou aos bairros pobres, às fábricas, aos parques onde as crianças brincam. Viajo pelo mundo visitando os bairros estrangeiros. E meus olhos estão sempre bem abertos tanto para as cenas de felicidade quanto para as de tristeza, de modo que eu possa descobrir como as pessoas vivem e trabalham, e compreendê-las melhor.

Meu terceiro dia de visão está chegando ao fim. Talvez haja muitas atividades a que devesse dedicar as poucas horas restantes, mas acho que na noite desse último dia vou voltar depressa a um teatro e ver uma peça cômica, para poder apreciar as implicações da comédia no espírito humano.

À meia-noite, uma escuridão permanente outra vez se cerraria sobre mim. Claro, nesses três curtos dias eu não teria visto tudo que queria ver. Só quando as trevas descessem de novo é que me daria conta do quanto eu deixei de apreciar.

Talvez este resumo não se adapte ao programa que você faria se soubesse que estava prestes a perder a visão. Nas sei que, se encarasse esse destino, usaria seus olhos como nunca usara antes. Tudo quanto visse lhe pareceria novo. Seus olhos tocariam e abraçariam cada objeto que surgisse em seu campo visual. Então, finalmente, você veria de verdade, e um novo mundo de beleza se abriria para você.

Eu, que sou cega, posso dar uma sugestão àqueles que vêem: usem seus olhos como se amanhã fossem perder a visão. E o mesmo se aplica aos outros sentidos. Ouça a música das vozes, o canto dos pássaros, os possantes acordes de uma orquestra, como se amanhã fossem ficar surdos. Toquem cada objeto como se amanhã perdessem o tacto. Sintam o perfume das flores, saboreiem cada bocado, como se amanhã não mais sentissem aromas nem gostos. Usem ao máximo todos os sentidos; goze de todas as facetas do prazer e da beleza que o mundo lhes revela pelos vários meios de contacto fornecidos pela natureza. Mas, de todos os sentidos, estou certa de que a visão deve ser o mais delicioso.

Texto originalmente publicado no Reader’s Digest (Seleções).

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

ENTRA CANTANDO, ENTRA CANTANDO, APOLO! (Machado de Assis)

Bom dia, amigos amantes da boa literatura! Que tal começar essa semana na companhia de nosso grande Machado de Assis?



ENTRA CANTANDO, ENTRA CANTANDO, APOLO!
Machado de Assis, 1891

ENTRA CANTANDO, entra cantando, Apolo!
Entra sem cerimônia, a casa é tua;
Solta versos ao sol, solta-os à lua,
Toca a lira divina, alteia o colo.

Não te embarace esta cabeça nua;
Se não possui as primitivas heras,
Vibra-lhe ainda a intensa vida sua,
E há outonos que valem primaveras.

Aqui verás alegre a casa e a gente,
Os adorados filhos, - terno e brando
Consolo ao coração que os ama e sente.

E ouvirás inda o eco reboando
Do canto dele, que terás presente.
Entra cantando, Apolo, entra cantando.

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Brasil Independente por Aline Elias

Escrevi o texto a seguir no ano passado, mas acredito que continua atual, e com o feriado que tivemos alguns dias atrás, acredito que vale a pena a reflexão...

Independência ou Morte, do pintor paraibano Pedro Américo (óleo sobre tela, 1888).
Brasil Independente

O que a nossa memória pessoal diz desse Brasil,  a memoria de nossa família, a do bairro em que moramos? 

Gostaríamos de conhecer o inimigo para poder lutar contra ele mas a memória nos culpa. Não conseguimos reconhecer porque eles nos iludiram sempre, em cada ano de votação, e por tanto tempo esperamos a pobreza diminuir, o bairro melhorar, a cidade respirar, o país tornar-se justo. 

Procuramos um messias, um salvador, e encontramos malfeitores para quem entregamos o controle  de nossas vidas. A parte explica o todo. O que sentimos hoje, cada um de nós, é o mesmo que sente o todo. Incapacidade, falta de confiança, e um grande medo: de nossos políticos, da nossa cidade, do bairro, de nós mesmos. 

Que possamos partir da escuridão para a claridade e estejamos solidários e conscientes no futuro com as pessoas, o bairro, a cidade, o país.

Aline Elias

sábado, 8 de setembro de 2018

Parabéns por Aline Elias

Alguns dias atrás completei mais um ano de vida, e através da reflexão sobre envelhecer me veio a inspiração para esse texto que compartilho com vocês!


Parabéns. 

Se eu não tivesse envelhecido 
Não derramaria essa lágrima de orgulho pelas minhas crianças. 
E nem pensaria em abraçar um cão ou 
rir quando  lembrasse dos mortos. 
Não deixaria o corpo  arrear sentindo prazer nessa exaustão
Enxergaria com olhos de bondade todas 
as minhas delicadezas. 
Arrastaria os acertos e os erros sem saber que o passado vira pedra.
Lamentaria os idos de juventude
esquecendo do amor de agora. 
Se eu não tivesse envelhecido não estaria aqui para viver.

Aline Elias

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Pontos de Vista (Eduardo Galeano)

Eduardo Galeano nasceu em 1940 e completaria hoje 68 anos. O escritor e jornalista uruguaio nos deixou em 2015, mas deixou um grande legado que permanecerá por muitas e muitas gerações. Compartilho com vocês um trecho retirado do livro "De Pernas Pro Ar" (1999, L&PM):

Foto: Retirada do site jornalggn.com.br / Crédito: Eugenio Mazzinghi
Pontos de vista/2

Do ponto de vista do sul, o verão do norte é inverno.
Do ponto de vista de uma minhoca, um prato de espaguete é uma
orgia.
Onde os hindus veem uma vaca sagrada, outros veem um grande
hambúrguer.
Do ponto de vista de Hipócrates, Galeno, Maimônides e Paracelso,
havia uma enfermidade no mundo chamada indigestão, mas não havia uma
enfermidade chamada fome.
Do ponto de vista de seus vizinhos no povoado de Cardona, o Toto
Zaugg, que andava com a mesma roupa no verão e no inverno, era um
homem admirável:
– O Toto nunca tem frio – diziam.
Ele não dizia nada. Frio ele tinha, o que não tinha era agasalho.

Eduardo Galeano em De Pernas Pro Ar




quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Um pouco de Sêneca para o Dia do Filósofo

Hoje, 16 de agosto, é celebrado o "Dia do Filósofo" e para essa data, escolhi esse trecho escrito por Sêneca para compartilhar com vocês!


A maior parte dos mortais, Paulino, queixa-se da malevolência da Natureza, porque estamos destinados a um momento da eternidade, e, segundo eles, o espaço de tempo que nos foi dado corre tão veloz e rápido, de forma que, à exceção de muito poucos, a vida abandonaria a todos em meio aos preparativos mesmos para a vida. E não é somente a multidão e a turba insensata que se lamenta deste mal considerado universal: a mesma impressão provocou queixas também de homens ilustres. Daí o protesto do maior dos médicos: “A vida é breve, longa, a arte.” Daí o litígio (de nenhuma forma apropriado a um homem sábio) que Aristóteles teve com a Natureza: “aos animais, ela concedeu tanto tempo de vida, que eles sobrevivem por cinco ou dez gerações; ao homem, nascido para tantos e tão grandes feitos, está estabelecido um limite muito mais próximo.” Não é curto o tempo que temos, mas dele muito perdemos. A vida é suficientemente longa e com generosidade nos foi dada, para a realização das maiores coisas, se a empregamos bem. Mas, quando ela se esvai no luxo e na indiferença, quando não a empregamos em nada de bom, então, finalmente constrangidos pela fatalidade, sentimos que ela já passou por nós sem que tivéssemos percebido. O fato é o seguinte: não recebemos uma vida breve, mas a fazemos, nem somos dela carentes, mas esbanjadores. Tal como abundantes e régios recursos, quando caem nas mãos de um mau senhor, dissipam-se num momento, enquanto que, por pequenos que sejam, se são confiados a um bom guarda, crescem pelo uso, assim também nossa vida se estende por muito tempo, para aquele que sabe dela bem dispor.

Trecho retirado do livro "Sobre a Brevidade da Vida"

SINOPSE: 'Sobre a Brevidade da Vida' é a obra mais difundida do filósofo Lúcio Anneo Sêneca (4 a.C.? - 65 d.C.) e um dos textos mais conhecidos de toda a Antigüidade latina. São cartas dirigidas a Paulino (cuja identidade é controversa), nas quais o sábio discorre sobre a natureza finita da vida humana. São desenvolvidos temas como aprendizagem, amizade, livros e a morte, e, no correr das páginas, vão sendo apresentadas maneiras de prolongar a vida e livrá-la de mil futilidades que a perturbam sem, no entanto, enriquecê-la. Escritas há quase dois mil anos, estas cartas compõem uma leitura inspiradora para todos os homens, a quem ajudam a avaliar o que é uma vida plenamente vivida.



quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Dicas para aproveitar bem a Bienal do Livro SP

Até domingo (dia 12/08) acontece a 25ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, e o Tom Dutra, do "Dicas do Tom", deu algumas dicas para os leitores aproveitarem o máximo essa experiência literária! Compartilho com vocês as dicas dele!

Começou a Bienal do Livro de SP 2018! Confira as Dicas do Tom!

Gente amiga, com muita alegria venho nesse post anunciar a chegada de uma de minhas feiras favoritas! Nem parece, mas já faz dois anos que fiz a cobertura da última e agora a Bienal do Livro de SP 2018 chega chegando com muitas novidades para os gostos de todos os leitores! Vou compartilhar com vocês algumas das que mais me chamaram a atenção nesse primeiro dia de evento!


A Sesi-SP Editora está com seu lindo estand e traz Spirou e Fantasio em peso para os fãs (como eu), o que é uma ótima oportunidade para você colocar a coleção em dia! Além disso há promoções para crianças e adultos, como essa com bottons dos super-heróis para os pequenos leitores que comprarem um livro! Dê uma passada por lá e confira os lançamentos da editora, há muita coisa legal, como o último volume do MARAVILHOSO Blacksad! Já falei sobre essa série aqui, se perdeu, clique AQUI e saiba mais!


A PAULUS traz diversas novidades em seu estande! Sessões de autógrafos de diversos lançamentos com os autores e ilustradores de obras como "Bentinho, o amigo de Deus" e "Amor e Tempestade - Superando as reviravoltas da vida", entre outras! Outro destaque da editora é o divertido Teatro de Marionetes que conta com espetáculos diários, confira a programação para ficar por dentro dos horários de apresentação e conferir que vale muito a pena!


E o estande da Melhoramentos?? O próprio nome já diz, é "melhor" você considerar uma parada obrigatória! (Tu dum tss) Haha! O trocadilho pode ter sido ruim, mas a dica é ótima, vai por mim! Só os lançamentos já são motivo suficiente pra você fazer uma visita! Olha esse crossover épico entre dois dos personagens mais queridos de todos os tempos no livro Mônica e Menino Maluquinho na Montanha Mágica! Coloca mais um "M" aí pra "Maravilhosa" a ideia dessa união! Temos também em destaque o livro "O Karaíba", que conta uma história de antes da chegada dos colonizadores europeus para imaginarmos como era a vida por aqui nesse período. Os habitantes... Quem eram? O que faziam? O que amavam? Vamos ter uma ideia lendo essa obra!


E falando em Turma da Mônica, gente, imperdível o estande da Dentro da História no evento! Ver como as crianças ficam felizes ao se ver interagindo com seus personagens favoritos é algo indescritível! O processo é muito rápido e divertido: em um computador a pessoa vai escolhendo o tipo de cabelo, as cores da pele, os acessórios, tudo para o personagem ficar o mais parecido possível com aquele que está sendo representado! Amei o personagem que virei, olhem só que simpático! Pensando em dar essa oportunidade para todos, além das opções pagas (o livro e a revista para colorir) a empresa disponibiliza o pôster para toda criança que quiser, sem custo! Iniciativa bacana, projeto bacana, resultado bacana, resumindo: imperdível! Passe na "Fantástica Fábrica de Sonhos" e divirta-se muito!


Esse lugar super simpático com esses móveis estilosos é o estande da Editora Autografia e eles prepararam um presente super especial para os visitantes! Você pode retirar gratuitamente o seu exemplar de "Palavreiras", a primeira Antologia de contos e poemas da editora, organizado por Rapha Santos! Para que todos tenham a oportunidade de levar o seu, a editora disponibiliza uma cota por dia, mas fique tranquilo que é um número bem generoso! Já garanti o meu, quando terminar eu compartilho com vocês a resenha em quadrinhos! =D Outra atração no estande foi a autora Carolina Madeira, caracterizada como a Profª Linda de Jesus, personagem de seu livro! No dia 8 de agosto a autora fará uma contação de histórias às 11h30, se for a data de sua visita à feira, reserve o horário!


Pra finalizar, quero compartilhar que me emocionei muito com a performance dessa dupla! Oferecendo poesia aos visitantes com muita alegria, aas meninas da "Hora da História" encantavam a todos que aceitavam! No meu caso, além da "Canção do Vento e da Minha Vida" de Manuel Bandeira, eu ganhei algumas lágrimas, claro. É disso que precisamos! Mais poesia! Para conhecer mais o trabalho dessas talentosas artistas, acessem o site oficial clicando AQUI!

É isso aí, pessoal! Lembrando que essas foram apenas as primeiras impressões do evento, vem muito mais por aí, aguardem! Me sigam também pelo Instagram e Twitter @tomdutradicas ! Tenho postado basante coisa por lá! Fiquem comigo que pelo jeito essa Bienal vai render "Dicas do Tom" como nunca! Yoicks! And awaaaaay!

Tom Dutra

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Tom Dutra é cartunista e parceiro do nosso blog! Acompanhem seu trabalho clicando AQUI, e confiram as críticas em quadrinhos e notícias culturais que ele compartilha! 

Aline Elias

terça-feira, 7 de agosto de 2018

Indicação do blog Mulher-Esqueleto: Onde andará o Rocambole?

Olá pessoal!

Navegando pela internet encontrei no blog "Mulher-Esqueleto" de Eliana Atihé um conteúdo muito interessante que quero compartilhar com vocês! Se você ainda não conhece o blog, clique AQUI e siga, conteúdo que vale a pena acompanhar! Abaixo o conteúdo retirado do blog da autora:

“Onde andará o Rocambole?”


OBLÍVIO – Olvido, esquecimento (Novo Aurélio).

Oblivion, cidade imaginária de Monteiro Lobato, morreu muito antes das de Ítalo Calvino nascerem. “Cidades Mortas”, livro lindo, anda meio esquecido, ele também, na barafunda sombria destes tempos em que Lobato virou racista e Flaubert, misógino. Os neo-puritanos não perdoam e por isso não tenho neles nenhum prazer, citando o Eclesiastes. Passarão, assim como as “cidades moribundas” de Lobato. Com a diferença de que elas, tendo sido bem vividas e imaginadas por ele, acabaram imortalizadas nesta pequenina maravilha. Eu mesma cabo de acordá-las, ao abrir meu livro velhinho, herança do pai da Denise, em busca de um trecho. Eu ouvia no rádio os resultados das últimas pesquisas sobre hábitos de leitura no Brasil e me lembrei de Oblivion.


Segundo Lobato, as tais “Cidades mortas” estavam localizadas no norte do estado de São Paulo, foram erigidas no rastro da “uberdade nativa do solo” e, “de repente”, viram-se “tolhidas de insanável caquexia”. Esvaia-se a fertilidade, “pela reiterada sucção de uma seiva não recomposta” – adoro isso. A alma humana é igual que nem. O “viver decrépito” de Oblivion, porém, ao contrário de muitas almas desertificadas, ocultava três tesouros. Prova da resistência da alma aonde quer que haja livros velhos, pó, mofo, pelo de gato e de cachorro, migalhas, traças etc. Aos viciados em limpeza e alérgicos em geral, esclareço que não estou sendo literal. Ainda bem que Lobato estava lá, morrendo de tédio nos fins de semana, sufocado pelo marasmo reinante, para decidir revirar cacarecos e trazer à tona a alma de Oblivion.
Como eu dizia, e a propósito da Bienal do Livro, outro dia eu escutava no rádio a ladainha dos resultados das tenebrosas pesquisas sobre hábitos de leitura no Brasil, com seus números diminutos feito cocôs de barata (pode pôr na lista do parágrafo anterior). Enquanto eu ouvia, as perguntas fervilhavam. Comprar livro é o mesmo que ler livro? Ler lixo impresso conta? A pessoa que não lê, não lê porque não pode, porque não tem biblioteca pública nem sebo nem livraria na cidade, porque não tem vizinho, colega ou tia que lhe empreste livros? Ou não lê porque não quer, porque não tem vontade nem curiosidade, porque não se interessa em aprender a ler de verdade, porque está com o nariz grudado no celular e com os olhos vidrados numa tela (não de Kindle)? Estou perguntando sem sacanagem, porque afinal número de livros comprados não é número de livros lidos, por exemplo… E perguntar não ofende, certo?

Seja qual for a situação desses não-leitores da pesquisa, acredito que ela não deva ser pior que a dos moradores de Oblivion. Talvez continue igual, cem anos passados. “Desviou-se dela a civilização, o telégrafo não a põe à fala com o resto do mundo, nem as estradas de ferro se lembram de uni-la às redes por intermédio de um humilde ramalzinho”. Muitas cidades no Brasil continuam olvidadas como Oblívion. Com uma diferença capital, porém: em Oblivio havia três livros que circulavam incessantemente entre os habitantes. “Uns volumes truncados do “Rocambole”, para enlevo das imaginações femininas” (Observação de um cidadão: “Infelizmente está incompleto, faltam uns dezessete volumes”), “A ilha maldita”, de Bernardo Guimarães, para enlevo dos paladares nacionalistas” e “La mare d’Auteuil”, de Paulo de Koch, para uso dos conhecedores do francês”. Sim, a biblioteca circulante de três livros de Oblivion tinha uma “sessão” inteira de literatura francesa!

A origem da “biblioteca” de Oblivion desapareceu na aurora dos tempos, Talvez algum padre falecido a tenha legado à cidade, sem querer. Talvez tenha sido acidental, como o Big Bang e a caixa de livros velhos que a vizinha de minha tia Jenny botou na rua um dia. Por sorte, eu estava lá e resgatei dela o dobro do acervo da “biblioteca” de Oblivion. Não vou me delongar, até porque não quero roubar aos leitores deste post o prazer de ler, na íntegra, o capítulo e o livro inteiro. Só quero contar que, certo dia, tendo esgotado os livros que levara, Monteiro Lobato precisou recorrer à “biblioteca” e escolheu o tal “Rocambole”, de um certo Ponson, um livro “velho como um monumento egípcio e, como ele, revestido de inscrições. Cada leitor que passava, ia deixando o rastro gravado a lápis”(…) “E assim, por quanto espaço em branco tinha o livro, margens e fins de capítulos, as apreciações se alastravam, com levíssimas variantes ai sóbrio ‘Li e gostei. inicial. Havia nomes antigos, de pessoas falecidas, e nomes das meninas casadeiras da época”. Oblívion, mesmo na sua caquexia, lia, comentava, circulava, conservava, compartilhava seus três livros.

Não tenho como não terminar senão ecoando de novo Lobato:

“Essa trindade impressa bastava à educação literária da cidade. Feliz cidade! Se é de temer o homem que conhece só um livro, a cidade que só conhece três é de se venerar.”

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Para conferir o conteúdo na publicação original no blog "Mulher-Esqueleto", clique AQUI.