segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Poema: Manias de Cesário Verde

No dia 25 de fevereiro nasceu José Joaquim Cesário Verde e Pires, mais conhecido como Cesário Verde, um grande poeta português considerado um dos precursores da poesia que seria feita em Portugal no século XX! Vamos celebrar a data com o poema "Manias" do autor!


Manias

O mundo é velha cena ensanguentada. 
Coberta de remendos, picaresca; 
A vida é chula farsa assobiada, 
Ou selvagem tragédia romanesca. 

Eu sei um bom rapaz, - hoje uma ossada -, 
Que amava certa dama pedantesca, 
Perversíssima, esquálida e chagada, 
Mas cheia de jactância, quixotesca. 

Aos domingos a déia, já rugosa, 
Concedia-lhe o braço, com preguiça, 
E o dengue, em atitude receosa, 

Na sujeição canina mais submissa, 
Levava na tremente mão nervosa, 
O livro com que a amante ia ouvir missa! 

Cesário Verde

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Como é por dentro outra pessoa - Fernando Pessoa



Como é por dentro outra pessoa

Como é por dentro outra pessoa
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo
Como que não há comunicação possível,
Com que não há verdadeiro entendimento.
Nada sabemos da alma
Senão da nossa;
As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,
Com a suposição de qualquer semelhança
No fundo.

Fernando Pessoa

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Brumadinho - Solo Sagrado


Brumadinho. Pousada Nova Instancia 2013 Estávamos reunidos nessa sala de almoço para o café da manhã. A mesa dos pães de queijo e bolos a moda mineira começava o dia que terminava ali mesmo com o jantar.


Depois partíamos  para Inhotim, a minha primeira experiência de arte integrada ao paisagismo e a arquitetura. Passamos dias especiais discutindo as instalações e enchendo os olhos de beleza. Em uma das instalações, deitados no chão, conseguimos ouvir os sons dos mantras da terra. Experiências de beleza onde hoje se vive a escuridão. O peso da terra usada sem critérios como bem empresarial não tinha limites nem contenção suficiente. O solo que pisamos, as pessoas , os objetos, tudo foi engolido pelo mar de lama. A lama do descuido da negligência e do desprezo pela vida. Gostaríamos de voltar para ver aquele pedaço de terra, agora solo sagrado, sendo transformado em memorial. Uma nação que apaga o passado será sempre medrosa e desesperançada com o futuro. 

Acendemos hoje uma vela para iluminar os nossos mortos e a sociedade brasileira que por eles tem a responsabilidade de mudar o país.

Aline Elias

O grupo Paineiras Arte na pousada.