SORRISO
Ah aquele dia
Virou noite surreal
Amigos divertidos
Rostos diferentes
E as meninas
Vendo o belo do mundo
Sentadas e borradas
Não paravam de rir.
Aline Elias
SORRISO
Ah aquele dia
Virou noite surreal
Amigos divertidos
Rostos diferentes
E as meninas
Vendo o belo do mundo
Sentadas e borradas
Não paravam de rir.
Aline Elias
OS TAMBORES
Soaram tambores
Epifania da noite
Gente italiana
Os portugueses
Nômades do deserto
Guias espirituais
De cura os curadores
Awo
Aline Elias
RIVIERA
Coloquei o pé na Areia
E vc estava lá
Passando a rede pela água
Rindo e esbanjando alegria.
Tempos que se foram
Mas que estão lá e cá
Nada pode ser esquecido
Se colar na alma
Aline Elias
DA CALMA E DO SILÊNCIO
Quando eu morder
a palavra,
por favor,
não me apressem,
quero mascar,
rasgar entre os dentes,
a pele, os ossos, o tutano
do verbo,
para assim versejar
o âmago das coisas.
Quando meu olhar
se perder no nada,
por favor,
não me despertem,
quero reter,
no adentro da íris,
a menor sombra,
do ínfimo movimento.
Quando meus pés
abrandarem na marcha,
por favor,
não me forcem.
Caminhar para quê?
Deixem-me quedar,
deixem-me quieta,
na aparente inércia.
Nem todo viandante
anda estradas,
há mundos submersos,
que só o silêncio
da poesia penetra.
Conceição Evaristo