sábado, 29 de fevereiro de 2020

Poema: Concreto de Aline Elias

Olá, queridos leitores! Lá se vai mais um mês, como o tempo passa, não? Ainda mais quando se trata de fevereiro, mês mais curto do ano, aí é que os dias passam praticamente voando! Esse ano ainda temos pelo menos um dia a mais, vamos aproveitar cada minuto dele! Compartilho com vocês um antigo poema meu que gosto muito!


Concreto 

O concreto não atrai 
A busca da abstração 
Não para a  realidade 
Agarrar raízes 
Temer a loucura 
De tanto sonhar 

Aline Elias



quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

Dica literária: O país do Carnaval de Jorge Amado

Está chegando o Carnaval! Entre as maiores festas populares do mundo, você sabia que o carnaval carioca inclusive entrou para o livro dos recordes em 2004 como a maior delas ao contar com 4 milhões de pessoas assistindo aos desfiles naquele ano? E já que o tema é Carnaval, fica aqui uma recomendação de um livro, O País do Carnaval de Jorge Amado! As informações foram retiradas do site http://www.jorgeamado.com.br/ !


O PAÍS DO CARNAVAL

O País do Carnaval é o primeiro romance de Jorge Amado, escrito quando ele tinha apenas dezoito anos. O livro foi publicado pela editora Schmidt em 1931, mesmo ano em que o autor ingressou na faculdade de direito no Rio de Janeiro. Antes de O país do Carnaval, Jorge Amado publicara os poemas de A luva e a novela Lenita, mas por opção do próprio escritor esses trabalhos não foram incluídos na relação de suas obras completas.

A primeira edição teve tiragem de mil exemplares e prefácio do editor e poeta Augusto Frederico Schmidt. O romance foi recebido com entusiasmo por Rachel de Queiroz, que havia publicado O quinze no ano anterior. Os dois escritores se conheceram no Rio de Janeiro, e foi ela quem lhe apresentou a Juventude Comunista. Em 1932, Jorge Amado se tornou militante.

Ainda em Salvador, o escritor já havia frequentado, entre 1927 e 1931, a Academia dos Rebeldes, grupo literário formado em torno do jornalista e poeta Pinheiro Viegas. Em entrevista ao jornalista Joel Silveira, Jorge Amado destacou a influência de Viegas e seu grupo na escrita de O país do Carnaval. Alguns críticos apontam ainda o intelectual paulista Paulo Prado, autor de Retrato do Brasil, como modelo para o protagonista Paulo Rigger.

Considerado subversivo, O País do Carnaval estava entre os livros de Jorge Amado que foram queimados em praça pública em Salvador, por determinação da polícia do Estado Novo, em 1937. O livro foi publicado em Portugal e traduzido para mais três idiomas.


Título original: O País do Carnaval
Autor: Jorge Amado
Editora: Companhia das Letras
Número de páginas: 171
Ano de lançamento: 1931
Idioma: Português



sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

14 de fevereiro: Monte Castelo para celebrar o Amor



MONTE CASTELO

Ainda que eu falasse a língua dos homens
E falasse a língua dos anjos
Sem amor eu nada seria

É só o amor, é só o amor
Que conhece o que é verdade
O amor é bom, não quer o mal
Não sente inveja ou se envaidece

O amor é o fogo que arde sem se ver
É ferida que dói e não se sente
É um contentamento descontente
É dor que desatina sem doer

Ainda que eu falasse a língua dos homens
E falasse a língua dos anjos
Sem amor eu nada seria

É um não querer mais que bem querer
É solitário andar por entre a gente
É um não contentar-se de contente
É cuidar que se ganha em se perder

É um estar-se preso por vontade
É servir a quem vence, o vencedor
É um ter com quem nos mata a lealdade
Tão contrário a si é o mesmo amor

Estou acordado e todos dormem
Todos dormem, todos dormem
Agora vejo em parte
Mas então veremos face a face

É só o amor, é só o amor
Que conhece o que é verdade

Ainda que eu falasse a língua dos homens
E falasse a língua do anjos
Sem amor eu nada seria.

Composição: Renato Russo

Ouça a canção:




segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

AOS EMUDECIDOS Poema de Georg Trakl



AOS EMUDECIDOS

Oh, a loucura da cidade grande, quando ao entardecer
Árvores atrofiadas fitam inertes ao longo do muro negro
Que o espírito do mal observa com máscara prateada;
A luz, com açoite magnético, expulsa a noite pétrea.
Oh, o repicar perdido dos sinos da tarde.

A puta, em gélidos calafrios, pare uma criança morta.
A cólera de Deus chicoteia enfurecida a fronte do possesso,
Epidemia purpúrea, fome que despedaça olhos verdes.
Oh, o terrífico riso do ouro.

Mas quieta em caverna escura sangra muda a humanidade,
Constrói de duros metais a cabeça redentora.

Georg Trakl
(tradução: Cláudia Cavalcante)