Há poemas que nos atravessam como brisa triste numa noite silenciosa. "Poetas", de Florbela Espanca, é um deles.
Cada verso carrega uma delicadeza cortante, como quem conhece a dor e a transforma em flor.
Florbela fala das almas dos poetas como violetas — frágeis, secretas, incompreendidas.
Ela reconhece na poesia não apenas uma arte, mas uma forma de existir, de sentir o mundo de um jeito que nem sempre encontra tradução fora do verso.
Leia com calma. Deixe o poema habitar você por um instante.
POETAS
por Florbela Espanca
Ai as almas dos poetas
Não as entende ninguém;
São almas de violetas
Que são poetas também.
Andam perdidas na vida,
Como as estrelas no ar;
Sentem o vento gemer
Ouvem as rosas chorar!
Só quem embala no peito
Dores amargas e secretas
É que em noites de luar
Pode entender os poetas
E eu que arrasto amarguras
Que nunca arrastou ninguém
Tenho alma para sentir
A dos poetas também!
Poesia é isso: uma alma falando baixo e profundo.
Você também sente assim? ✨
Aline Elias
