sexta-feira, 13 de dezembro de 2024

Não Quero por Aline Elias

  


NÃO QUERO


Não quero ser louco 

Nem chato  

Não quero ser herege 

Nem pecador 

Não quero ser estranho 

Nem antissocial 

Mas as vezes sou tudo isso 

E também louco. 


Aline Elias

quarta-feira, 20 de novembro de 2024

A Pele Fala por Aline Elias

 


A PELE FALA


Sentimos pela pele

Os medos e as tristezas 

As alegrias e as transformações

A pele fala o que escondemos. 


Aline Elias



sexta-feira, 25 de outubro de 2024

Vale Sagrado por Aline Elias

 


VALE SAGRADO


No meio das montanhas 

Sou pequeníssima

Um grande escuro 

E o céu estrelado 

Filhotes de animais 

Atravessam ágeis 

Uma tempestade 

Carrega os elefantes 

Eu quase não existo 

O olhar embaça 

Não posso falar 

Com a noite


Aline Elias

segunda-feira, 7 de outubro de 2024

Entranhas - Poema de Aline Elias



Entranhas


Como feto na concha 

Travesseiro de porco-espinho

Desmanchado de corpo

Sangram músculos 

Grudam nos ossos 

Fenda de consciência

Cansaço movediço 

Fragmento humano 

Restam olhos iguais aos da minha mãe


Aline Elias

sexta-feira, 16 de agosto de 2024

Mude - Poema de Edson Marques

 


MUDE - Poema de Edson Marques


Mude,

Mas comece devagar,

porque a direção é mais importante

que a velocidade.

Sente-se em outra cadeira,

no outro lado da mesa.

Mais tarde, mude de mesa.

Quando sair,

procure andar pelo outro lado da rua.

Depois, mude de caminho,

ande por outras ruas, calmamente,

observando com atenção

os lugares por onde você passa.

Tome outros ônibus.

Mude por uns tempos o estilo das roupas.

Dê os teus sapatos velhos.

Procure andar descalça alguns dias.

Tire uma tarde inteira

para passear livremente no campo,

ou no parque, e ouvir o canto dos passarinhos.

Veja o mundo de outras perspectivas.

Abra e feche as gavetas e portas com a mão esquerda.

Durma no outro lado da cama…

depois, procure dormir em outras camas da casa.

Assista a outros programas de tv,

compre outros jornais…

leia outros livros,

viva outros romances.

Não faça do hábito um estilo de vida.

Ame a novidade.

Durma mais tarde.

Durma mais cedo.

Aprenda uma palavra nova por dia

numa outra língua.

Corrija a postura.

Coma um pouco menos,

escolha comidas diferentes,

novos temperos, novas cores, novas delícias.

Tente o novo todo dia.

o novo lado, o novo método,

o novo sabor, o novo jeito,

o novo prazer, o novo amor.

a nova vida.

Tente.

Busque novos amigos.

Tente novos amores.

Faça novas relações.

Almoce em outros locais,

vá a outros restaurantes,

tome outro tipo de bebida

compre pão em outra padaria.

Almoce mais cedo,

jante mais tarde ou vice-versa.

Escolha outro mercado…

outra marca de sabonete,

outro creme dental…

tome banho em novos horários.

Use canetas de outras cores.

Vá passear em outros lugares.

Ame muito, cada vez mais,

de modos diferentes.

Troque de bolsa,

de carteira,

de malas,

troque de carro,

compre novos óculos,

escreva versos e poesias.

Jogue os velhos relógios,

quebre delicadamente

esses horrorosos despertadores.

Abra conta em outro banco.

Vá a outros cinemas,

outros cabeleireiros,

outros teatros,

visite novos museus.

Mude.

Lembre-se de que a vida é uma só.

E pense seriamente em arrumar um outro emprego,

uma nova ocupação,

um trabalho mais light,

mais prazeroso,

mais digno,

mais humano.

Se você não encontrar razões para ser livre,

invente-as.

Seja criativa.

Grite o mais alto que puder no espaço vazio.

Deixem pensar que você está louca.

Aproveite para fazer uma viagem despretensiosa,

longa, se possível sem destino.

Experimente coisas novas.

Troque novamente.

Mude, de novo.

Experimente outra vez.

Você certamente conhecerá coisas melhores

e coisas piores do que as já conhecidas,

mas não é isso o que importa.

O mais importante é a mudança,

o movimento,

o dinamismo,

a energia.

A positividade que você esta sentindo agora.

Só o que está morto não muda !

Repito por pura alegria de viver: a salvação é pelo risco, sem o qual a vida não vale a pena!!!!


Edson Marques



sexta-feira, 19 de julho de 2024

Sala da Vitória por Aline Elias

 


SALA DA VITÓRIA


A sala de troféus 

Chamada sala da vitória 

Os vitoriosos estão lá 

Fotografados e endeusados

Por alguns momentos 

Se esqueceram 

Que eram mortais. 


Aline Elias

sexta-feira, 12 de julho de 2024

Nihil Novum por Florbela Espanca



NIHIL NOVUM


Na penumbra do pórtico encantado

De Bruges, noutras eras, já vivi;

Vi os templos do Egito com Loti;

Lancei flores, na Índia, ao rio sagrado.

No horizonte de bruma opalizado,

Frente ao Bósforo errei, pensando em ti!

O silêncio dos claustros conheci

Pelos poentes de nácar e brocado...

Mordi as rosas brancas de Ispaã

E o gosto a cinza em todas era igual!

Sempre a charneca bárbara e deserta,

Triste, a florir, numa ansiedade vã!

Sempre da vida ? o mesmo estranho mal,

E o coração ? a mesma chaga aberta!


Florbela Espanca

sexta-feira, 5 de julho de 2024

O Que Está Dentro por Aline Elias

 


O QUE ESTÁ DENTRO


Hoje visitei o passado 

Muito bom quando lembramos 

Dos primeiros caminhos 

De quem fomos no início 

Muda a embalagem 

O que está dentro permanece. 


Aline Elias

sexta-feira, 28 de junho de 2024

Cabe Ali por Aline Elias

 


CABE ALI


Saindo do casulo

Da casa mãe 

Que acolheu e escondeu 

Dos males do mundo 

Difícil sair desse universo 

Que abraça e conforta 

Onde tudo se conhece 

Quase uma caverna 

O todo do mundo 

Cabe ali dentro. 


Aline Elias

sexta-feira, 21 de junho de 2024

Eternidades por Aline Elias

 


ETERNIDADES


Quando perdemos 

O que é eterno 

Vem a tristeza e o medo 

Essas eternidades 

Serão sempre uma parte que falta. 


Aline Elias


sexta-feira, 14 de junho de 2024

Toledo por Florbela Espanca


TOLEDO


Diluído numa taça de oiro a arder

Toledo é um rubi. E hoje é nosso!

O sol a rir... Vivalma... Não esboço

Um gesto que me não sinta esvaecer...


As tuas mãos tacteiam-me a tremer...

Meu corpo de âmbar, harmonioso e moço,

É como um jasmineiro em alvoroço

Ébrio de sol, de aroma, de prazer!


Cerro um pouco o olhar, onde subsiste

Um romântico apelo vago e mudo

— Um grande amor é sempre grave e triste.


Flameja ao longe o esmalte azul do Tejo...

Uma torre ergue ao céu um grito agudo...

Tua boca desfolha-me num beijo... 


Florbela Espanca


sexta-feira, 7 de junho de 2024

Alegria de Viver por Aline Elias

 


ALEGRIA DE VIVER


Atmosfera de tribo 

Os homens dançando 

Se mostrando para as meninas 

E elas seguindo Dionísio 

Se deixando levar pela bebida 

E a alegria de estarmos vivos.


Aline Elias

 

sexta-feira, 31 de maio de 2024

Ele Dizia... por Aline Elias

 


ELE DIZIA


Ele dizia que o mundo é grande 

Que tem muito lugar dentro 

E ninguém precisa expulsar 

O outro para viver bem. 


Aline Elias


sexta-feira, 24 de maio de 2024

Existência por Aline Elias

 



EXISTÊNCIA


As crianças perguntam 

Olhinhos abertos 

Exploram o mundo 


Os velhos desistem 

Não querem entender 

Precisam viver. 


Vou existir como sou 

Porque um dia qualquer 

Não mais existirei.


Aline Elias

sexta-feira, 17 de maio de 2024

Noite de Saudade por Florbela Espanca



NOITE DE SAUDADE


A Noite vem poisando devagar

Sobre a Terra, que inunda de amargura...

E nem sequer a benção do luar

A quis tornar divinamente pura...


Ninguém vem atrás dela a acompanhar

A sua dor que é cheia de tortura...

E eu oiço a Noite imensa soluçar!

E eu oiço soluçar a Noite escura!


Porque és assim tão escura, assim tão triste?!

é que, talvez, ó Noite, em ti existe

Uma saudade igual à que eu contenho!


Saudade que eu sei donde me vem...

Talvez de ti, ó Noite! ... Ou de ninguém! ...

Que eu nunca sei quem sou, nem o que tenho!


Florbela Espanca

sexta-feira, 10 de maio de 2024

Uma ou Outra por Aline Elias

 



UMA OU OUTRA


Busquei uma coisa 

Encontrei outra. 


Pensei em uma vida 

Mas vivo outra. 


Não escrevemos a vida 

Contamos as histórias 


Aline Elias

sexta-feira, 3 de maio de 2024

Safena por Elisa Lucinda


SAFENA

Sabe o que é um coração

amar ao máximo de seu sangue?

Bater até o auge de seu baticum?

Não, você não sabe de jeito nenhum.

Agora chega.

Reforma no meu peito!

Pedreiros, pintores, raspadores de mágoas

aproximem-se!

Rolos, rolas, tinta, tijolo

comecem a obra!

Por favor, mestre de Horas

Tempo, meu fiel carpinteiro

comece você primeiro passando verniz nos móveis

e vamos tudo de novo do novo começo.


Iansã, Oxum, Afrodite, Vênus e Nossa Senhora

apertem os cintos

Adeus ao sinto muito do meu jeito

Pitos ventres pernas

aticem as velas

que lá vou de novo na solteirice

exposta ao mar da mulatice

à honra das novas uniões


Vassouras, rodos, águas, flanelas e cercas

Protejam as beiras

lustrem as superfícies

aspirem os tapetes

Vai começar o banquete

de amar de novo

Gatos, heróis, artistas, príncipes e foliões

Façam todos suas inscrições.

Sim. Vestirei vermelho carmim escarlate


O homem que hoje me amar

Encontrará outro lá dentro.

Pois que o mate.


Elisa Lucinda

sexta-feira, 26 de abril de 2024

Falamos de Solitude por Aline Elias


FALAMOS DE SOLITUDE


Da idade do meio para velhice 

Pelo menos sobram memórias 

Ninguém se lembra 

Do vazio da solitude 

No tempo da infância


Aline Elias


sexta-feira, 19 de abril de 2024

Suavidade por Florbela Espanca

 


SUAVIDADE


Pousa a tua cabeça dolorida

Tão cheia de quimeras, de ideal,

Sobre o regaço brando e maternal

Da tua doce Irmã compadecida.


Hás-de contar-me nessa voz tão qu’rida

A tua dor que julgas sem igual,

E eu, pra te consolar, direi o mal

Que à minha alma profunda fez a Vida.


E hás-de adormecer nos meus joelhos...

E os meus dedos enrugados, velhos,

Hão-de fazer-se leves e suaves...


Hão-de pousar-se num fervor de crente,

Rosas brancas tombando docemente,

Sobre o teu rosto, como penas de aves...


Florbela Espanca

sexta-feira, 12 de abril de 2024

Silêncio por Aline Elias

 


SILÊNCIO


Agora chegamos 

Somente o silêncio

Das ruas vazias

Do início do ano 

Que começa manso 

Como criança nasce 

E nos deslumbra 

Encantados seguimos 

Como o louco 

Vamos explorar caminhos 


Aline Elias

sexta-feira, 5 de abril de 2024

Frankfurt por Aline Elias

 

FRANKFURT


Chuva e frio 

Polícias e revistas 

Big organization 

Vacinação e medo 

Cerveja amarga

Espuma que transborda 

Salsicha e pão. 

Espera da tela 

Aguardando voar

A menina forte 

Carrega os carrinhos

Lufthansa. 


Aline Elias

sexta-feira, 22 de março de 2024

Alma Luz por Clarice Lispector

 


ALMA LUZ


Minha alma tem o peso da luz

Tem o peso da música

Tem o peso da palavra nunca dita,

Prestes quem sabe a ser dita

Tem o peso de uma lembrança

Tem o peso de uma saudade

Tem o peso de um olhar

Pesa como pesa uma ausência

E a lágrima que não chorou

Tem o imaterial peso de uma solidão

No meio de outros

...

Clarice Lispector


sexta-feira, 15 de março de 2024

NAVIOS-FANTASMAS por Florbela Espanca

 


NAVIOS-FANTASMAS


O arabesco fantástico do fumo

Do meu cigarro traça o que disseste,

A azul, no ar; e o que me escreveste,

E tudo o que sonhaste e eu presumo.


Para a minha alma estática e sem rumo,

A lembrança de tudo o que me deste

Passa como o navio que perdeste,

No arabesco fantástico do fumo...


Lá vão! Lá vão! Sem velas e sem mastros,

Têm o brilho rutilante de astros,

Navios-fantasmas, perdem-se a distância!


Vão-me buscar, sem mastros e sem velas,

Noiva-menina, as doidas caravelas,

Ao ignoto País da minha infância...


Florbela Espanca


quarta-feira, 6 de março de 2024

NUM MOMUMENTO À ASPIRINA por João Cabral de Melo Neto

 


Num Monumento à Aspirina


Claramente: o mais prático dos sóis,

o sol de um comprimido de aspirina:

de emprego fácil, portátil e barato,

compacto de sol na lápide sucinta.

Principalmente porque, sol artificial,

que nada limita a funcionar de dia,

que a noite não expulsa, cada noite,

sol imune às leis da meteorologia,

a toda hora em que se necessita dele

levanta e vem (sempre num claro dia):

acende, para secar a aniagem da alma,

quará-la, em linhos de um meio-dia.


*


Convergem: a aparência e os efeitos

da lente do comprimido de aspirina:

o acabamento esmerado desse cristal,

polido a esmeril e repolido a lima,

prefigura o clima onde ele faz viver

e o cartesiano de tudo nesse clima.

De outro lado, porque lente interna,

de uso interno, por detrás da retina,

não serve exclusivamente para o olho

a lente, ou o comprimido de aspirina:

ela reenfoca, para o corpo inteiro,

o borroso de ao redor, e o reafina.


João Cabral de Melo Neto

Publicado no livro A educação pela pedra (1966).

sexta-feira, 1 de março de 2024

ESCOLHAS por Aline Elias



ESCOLHAS


Como o branco nivela 

Por isso a neve encanta 

A natureza com força 

Posso crescer ou diminuir 

Depende do que quero ser 

Do que decidir aceitar 

As escolhas passadas 

Regem o presente 

As escolhas futuras 

Dizem o que virá. 


Aline Elias


sexta-feira, 23 de fevereiro de 2024

RELÓGIOS por Aline Elias


RELÓGIOS 


As Torres das igrejas 

Cada uma com um relógio 

O tempo passou

Os relógios de bolso

Guardados nos coletes 

Como era o do meu avô 

O tempo passou 

Os cucos barulhentos 

Chegando e partindo 

O tempo passou 

As caixinhas de música 

Agora sem bailarinas 

O tempo passou 

As bolas de Vidro

Soltam flocos de neve 

O tempo passou.  


Aline Elias

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024

A MINHA DOR por Florbela Espanca


A MINHA DOR


A minha Dor é um convento ideal

Cheio de claustros, sombras, arcarias,

Aonde a pedra em convulsões sombrias

Tem linhas dum requinte escultural.


Os sinos têm dobres de agonia

Ao gemer, comovidos, o seu mal...

E todos têm sons de funeral

Ao bater horas, no correr dos dias...


A minha Dor é um convento. Há lírios

Dum roxo macerado de martírios,

Tão belos como nunca os viu alguém!


Nesse triste convento aonde eu moro,

Noites e dias rezo e grito e choro,

E ninguém ouve... ninguém vê... ninguém... 


Florbela Espanca

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2024

CHOCOLATES por Aline Elias


CHOCOLATES

Os chocolates 

Caem na mão 

Pedaços deliciosos 

Alguns misturados 

Flor de sal fino 

Castanhas e amêndoas 

Marrom escuro 

O branco mais branco 

Fábrica de sonhos 


Aline Elias

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

O TEMPO QUE PERDEMOS por Aline Elias

 


O TEMPO QUE PERDEMOS


Nos perdoamos

Tarde demais 

Poderia ser antes 

As barreiras que criamos

Por motivos fúteis 

Ações sem sentido

Perdemos muito tempo

Relembrando memórias 

Sem viver o tempo presente.


Aline Elias



sexta-feira, 19 de janeiro de 2024

OLHARES FALAM por Aline Elias



OLHARES FALAM


Os olhares falam 

Alguns de aprovação 

Outros de retaliação 

Ainda os ressentidos 

Outros curiosos 

Olhares de amor 

Olhares orgulhosos 

Olhos de aumento 

Ou de diminuição 

Olhares críticos 

De desaprovação 

Olhares calmos 

Olhos cansados 

Alguns provocativos. 

Outros tristonhos 

Ainda os tímidos 

Os assustados 

Os olhos para baixo 

Ou olhos para o alto 

E os bravos 

Os de admiração 

Olhares irritadiços

Olhares risonhos 

Olhares piedosos 

Olhar perdido 

Olhar corajoso 

Olhares que se encontram 

Existe uma palavra 

Em cada olhar. 


Aline Elias


sexta-feira, 12 de janeiro de 2024

LÁGRIMAS OCULTAS por Florbela Espanca

 


LÁGRIMAS OCULTAS


Se me ponho a cismar em outras eras

Em que ri e cantei, em que era querida,

Parece-me que foi noutras esferas,

Parece-me que foi numa outra vida...

E a minha triste boca dolorida,

Que dantes tinha o rir das primaveras,

Esbate as linhas graves e severas

E cai num abandono de esquecida!

E fico pensativa, olhando o vago...

Toma a brandura plácida de um lago

O meu rosto de monja de marfim...

E as lágrimas que choro, branca e calma,

Ninguém as vê brotar dentro da alma,

Ninguém as vê cair dentro de mim!


Florbela Espanca


sexta-feira, 5 de janeiro de 2024

DESABITAÇÃO por Aline Elias

 


DESABITAÇÃO

Angulo de uma janela

Marrom e branca

Horizonte ladeado

Sacadas sem planta 

           Sem terra

As vezes flutua

Papel ou plástico 

Bandeira isolada

Da torre alta

Para o céu 

Olhar a procura

De casas de bairro

Portas sem chave

Barulho de gente

Pisando chão

As novas construções

Multiplicadas e prontas

Aguardam paradas

Os novos tempos

Morada nas alturas 

Enquanto os dias

Iguais e indiferentes

Seguem calendário

E a única mudança

Acontece no céu

 

                                                      Aline Elias