sexta-feira, 15 de março de 2024

NAVIOS-FANTASMAS por Florbela Espanca

 


NAVIOS-FANTASMAS


O arabesco fantástico do fumo

Do meu cigarro traça o que disseste,

A azul, no ar; e o que me escreveste,

E tudo o que sonhaste e eu presumo.


Para a minha alma estática e sem rumo,

A lembrança de tudo o que me deste

Passa como o navio que perdeste,

No arabesco fantástico do fumo...


Lá vão! Lá vão! Sem velas e sem mastros,

Têm o brilho rutilante de astros,

Navios-fantasmas, perdem-se a distância!


Vão-me buscar, sem mastros e sem velas,

Noiva-menina, as doidas caravelas,

Ao ignoto País da minha infância...


Florbela Espanca


Nenhum comentário:

Postar um comentário