Há um momento, quase imperceptível, em que deixamos de nos abrir.
Não acontece de uma vez. Não é um gesto dramático, nem uma decisão consciente. É um acúmulo. Pequenas decepções, silêncios mal resolvidos, expectativas que não encontram resposta. E então, quando percebemos, já estamos nos fechando.
E nos fechando.
E nos fechando.
Como alguém que, por medo de sentir novamente, decide trancar tudo — inclusive aquilo que ainda pulsa.
O problema é que o coração não foi feito para ser guardado a sete chaves. Ele não esquece só porque está protegido. Pelo contrário: às vezes, quanto mais tentamos esconder, mais forte aquilo permanece dentro de nós.
A dor não vai embora com o isolamento. Ela apenas aprende a morar em silêncio.
Aline Elias
