FALAMOS DE SOLITUDE
Da idade do meio para velhice
Pelo menos sobram memórias
Ninguém se lembra
Do vazio da solitude
No tempo da infância
Aline Elias
Da idade do meio para velhice
Pelo menos sobram memórias
Ninguém se lembra
Do vazio da solitude
No tempo da infância
Aline Elias
Pousa a tua cabeça dolorida
Tão cheia de quimeras, de ideal,
Sobre o regaço brando e maternal
Da tua doce Irmã compadecida.
Hás-de contar-me nessa voz tão qu’rida
A tua dor que julgas sem igual,
E eu, pra te consolar, direi o mal
Que à minha alma profunda fez a Vida.
E hás-de adormecer nos meus joelhos...
E os meus dedos enrugados, velhos,
Hão-de fazer-se leves e suaves...
Hão-de pousar-se num fervor de crente,
Rosas brancas tombando docemente,
Sobre o teu rosto, como penas de aves...
Florbela Espanca
Agora chegamos
Somente o silêncio
Das ruas vazias
Do início do ano
Que começa manso
Como criança nasce
E nos deslumbra
Encantados seguimos
Como o louco
Vamos explorar caminhos
Aline Elias
Chuva e frio
Polícias e revistas
Big organization
Vacinação e medo
Cerveja amarga
Espuma que transborda
Salsicha e pão.
Espera da tela
Aguardando voar
A menina forte
Carrega os carrinhos
Lufthansa.