MONÓLOGO: A CARTA DO VELHO DE 100 ANOS
Por Anderson Diego Gama Reis
Quase não seguro direito esta caneta, minha visão quase não enxerga além da nuvem de fumaça que se cria ao meu redor.
Pois bem, escrevo esta carta para todos aqueles que não sabem o que é aproveitar o máximo que a vida nos tem a ensinar.
Eu tenho 100 anos e sou de um tempo em que as pessoas conversavam uma com as outras e os jovens tinham respeito com os idosos e com seus familiares, e que toda vez que visitava meus tios, eu lhes pedia a benção, enfim, sou de um tempo de paz...
Lembro-me ainda pequeno, uns 10 ou 12 anos, quando mamãe e papai esperavam ansiosos pelo carteiro, sim, naquele tempo os carteiros entregavam verdadeiramente as cartas e não são como hoje que só entregam cobranças, faturas ou encomendas.
Era um tempo bom e essa profissão era uma das mais almejadas pela juventude, pois, era através dos carteiros que levavam notícias boas, riquezas, ou, traziam notícias infortunas, enfim, era um tempo bom.
Hoje conversando com minha neta, ela me disse que estava no MSN e ao mesmo tempo fazendo seu trabalho de escola no estilo copiou e colou. Nossa, como essa juventude esta se perdendo, não estão estudando mais, há que saudade daquela velha e boa biblioteca que ficava ao fim da rua no meu bairro, era costume, toda vez que saíamos da sala de aula, irmos até esta grande universidade de conhecimentos para buscar informações. Éramos obrigados a ler, era bom. Hoje olho para minha neta e não encontro o gosto por estudo, não percebo o gosto pela informação, aliás, falando em notícias, como era bom os vizinhos conversando, todo mundo se conhecia, ai... (emociono-me nas lembranças)
Enfim, olho hoje para o horizonte e não mais encontro o bonde passando na velha estação, que pena, hoje o ser humano tornou-se individualista, mercenário, ranzinza, prefere agarra-se a seus automóveis beberrões do que compartilharem uma bela conversa ao balanço do velho bonde.
Arg arg arg, já não tenho mais forças para continuar escrevendo, por isso, deixo essa carta a você que ainda acredita no ser humano, no ideal social e no bem comum, não cometa os erros que meus filhos e netos cometeram, seja dedicado aos estudos e leia, leia bastante pois, ler é a chave para todos os males de nossa sociedade. E que eu possa descansar em paz. Adeus.
De seu grande amigo,
Um velho de 100 anos...
Fonte: http://www.dominiopublico.gov.br

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