quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

Castelã de Tristeza por Florbela Espanca


CASTELÃ DE TRISTEZA


Altiva e couraçada de desdém,

Vivo sozinha em meu castelo: a Dor!

Passa por ele a luz de todo o amor...

E nunca em meu castelo entrou alguém!


Castela da Tristeza, vês?... A quem?...

— E o meu olhar é interrogador —

Perscruto ao longe as sombras do sol-pôr...

Chora o silêncio... nada... ninguém vem...


Castelã da Tristeza, porque choras

Lendo, toda de branco, um livro de horas,

À sombra rendilhada dos vitrais?...


À noite, debruçada, p’las ameias,

Porque rezas baixinho?... Porque anseias?...

Que sonho afagam tuas mãos reais?...


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