“Éramos Seis” é um romance de Maria José Dupré, escritora da década de 1940, e lembra um diário pela forma como a autora retrata o cotidiano em uma sequência cronológica. O olhar está centrado na vida privada da família no que chamamos de realismo doméstico. E a casa também é um personagem da história.
Dona Lola reorganiza as memórias, nomeia e constrói um significado. Retrata a São Paulo, a cidade, não por uma visão social e sim pelos acontecimentos na família. Na verdade, ela escreve como uma simples dona de casa que gosta de escrever. Uma escrita não rebuscada em uma linguagem mais simples.
A memória gera significado para a família, mas também gera angústia. São muitas as perdas da Dona Lola, que a partir dessa memória vai elaborando todas elas. Assim ela trabalha o luto e a melancolia. Podemos entrar dentro de cada uma das personagens. Uma autora que tem grande facilidade para contar histórias. E a memória traz também um tempo feliz, de criação, da juventude, dos sonhos.

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