sexta-feira, 13 de outubro de 2023

O Azar por Charles Baudelaire

 


O Azar


Com peso tal, não me ajeito;

Dá-me, Sísifo, vigor!

Embora eu tenha valor,

A Arte é larga e o Tempo Estreito.


Longe dos mortos lembrados,

A um obscuro cemitério,

Minh'alma , tambor funéreo,

Vai rufar trechos magoados.


— Há muitas jóias ocultas

Na terra fria, sepulturas

Onde não chega o alvião;


Muita flor exala a medo

Seus perfumes no degredo

Da profunda solidão


Charles Baudelaire, in "As Flores do Mal"

Tradução de Delfim Guimarães



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