sexta-feira, 18 de julho de 2025

Nihil Novum por Florbela Espanca


NIHIL NOVUM


Na penumbra do pórtico encantado

De Bruges, noutras eras, já vivi;

Vi os templos do Egito com Loti;

Lancei flores, na Índia, ao rio sagrado.


No horizonte de bruma opalizado,

Frente ao Bósforo errei, pensando em ti!

O silêncio dos claustros conheci

Pelos poentes de nácar e brocado...


Mordi as rosas brancas de Ispaã

E o gosto a cinza em todas era igual!

Sempre a charneca bárbara e deserta,


Triste, a florir, numa ansiedade vã!

Sempre da vida ? o mesmo estranho mal,

E o coração ? a mesma chaga aberta!


Florbela Espanca

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