Há pensamentos que não pedem licença.
Eles não chegam quando são chamados, nem obedecem lógica ou rotina. Apenas surgem — no meio do silêncio, no intervalo de um dia comum, no instante em que a mente parece distraída demais para resistir.
E então, o sonho se aproxima.
Não como fuga, mas como linguagem.
Uma tentativa sutil — e às vezes confusa — de traduzir o que ainda não sabemos nomear. Como se algo dentro de nós estivesse em processo, buscando forma, buscando voz… buscando ser entendido.
Nem tudo quer ser revelado de imediato.
Algumas verdades preferem o disfarce. Vestem símbolos, embaralham memórias, atravessam imagens desconexas. Não para esconder, mas para preparar.
Porque compreender também exige tempo.
Talvez o que nos inquieta não seja o mistério em si, mas a sensação de que há algo ali… quase acessível… quase dito.
E ainda assim, não completamente.
Há coisas dentro de nós que não se explicam.
Aline Elias

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