ESTRANHO
Olho os remédios , terei que tomar o branco e o azul.
O homem que está na minha frente segurando a bandeja não é bondoso. Eu sinto. Não gosto dele, não o conheço. E detesto esse lugar. Tudo é tão sujo. Se ela estivesse aqui seria limpo e organizado. Eu a amo demais, o seu porte alto, a pele clara. Eles vieram falar que a minha esposa está me traindo e tenho que ver aonde ela vai e com quem se encontra. Eles sabem quem são os meus amigos, os inimigos, os falsos, os perigosos, os que querem me matar. Estou protegido, tenho o poder de ver o mundo claramente, sou um mágico. Raramente consigo trabalhar e passo dia após dia trancado no quarto ou andando sem rumo pela rua. Estou dentro de outra pessoa, a mão, o pé, o corpo, nada é meu. Não reconheço as pessoas, as vezes me esforço para fazer contato. Gostaria que eles fossem verdadeiros e escutassem o que tenho a dizer, o que sei fazer. Mas sei que tramam contra mim. E sou obrigado a tomar o branco e o azul. Estou sonolento e enquanto durmo sei que estou sendo roubado.
Precisava ouvir a porta se abrir para respirar de novo.
Aline Elias

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