sexta-feira, 30 de julho de 2021

As Minhas Ilusões por Florbela Espanca



AS MINHAS ILUSÕES


Hora sagrada dum entardecer

De Outono, à beira mar, cor de safira,

Soa no ar uma invisível lira...

O sol é um doente a enlanguescer...


A vaga estende os braços a suster,

Numa dor de revolta cheia de ira,

A doirada cabeça que delira

Num último suspiro, a estremecer!


O sol morreu... e veste luto o mar...

E eu vejo a urna de oiro, a balouçar,

À flor das ondas, num lençol de espuma.


As minhas ilusões, doce tesoiro,

Também as vi levar em urnas de oiro,

No mar da Vida, assim... uma por uma...


Florbela Espanca

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